Dólar fecha em alta a R$ 5,22 e atinge maior patamar desde março


Redação 28/09/2026

O dólar encerrou esta segunda-feira (28) em forte alta frente ao real, cotado a R$ 5,2265, após avançar 0,86% no dia. A moeda norte-americana voltou a fechar acima de R$ 5,20, alcançando o maior valor desde 30 de março, em meio ao fortalecimento global da divisa e à cautela dos investidores diante das incertezas no cenário internacional.

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Apesar das preocupações com o ambiente político e econômico brasileiro, operadores avaliam que os principais fatores por trás da valorização do dólar estão relacionados ao exterior. Entre eles estão o impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã, as tensões no Oriente Médio e a permanência dos preços do petróleo em níveis elevados.

A falta de avanços nas conversas entre os dois países sobre o encerramento do conflito e a reabertura completa do Estreito de Ormuz aumentou os receios de novas pressões inflacionárias. Ao mesmo tempo, indicadores econômicos fortes nos Estados Unidos e declarações de dirigentes do Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano, reforçaram as expectativas de manutenção de juros elevados ou de novos aumentos.

Esse cenário impulsionou os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, conhecidos como Treasuries, e pressionou moedas de países emergentes.
Segundo o economista Fabrizio Velloni, além do petróleo, fatores como as questões migratórias, os impactos sobre o mercado de trabalho e as tarifas comerciais também alimentam as preocupações com a inflação americana.

Durante a manhã, o dólar ultrapassou R$ 5,22, após as expectativas de um possível entendimento entre Washington e Teerã não se confirmarem no fim de semana. À tarde, informações sobre sinais de aproximação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação ao Irã contribuíram para aliviar momentaneamente os preços do petróleo. No entanto, a moeda voltou a ganhar força perto do encerramento do pregão.

Em setembro, o dólar acumula valorização de 0,90%, depois de ter subido 2,16% em agosto.

Cenário eleitoral brasileiro também entra no radar

No Brasil, as eleições presidenciais e as decisões recentes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seguem entre os fatores acompanhados pelo mercado financeiro. Medidas como o reajuste do Bolsa Família e a proibição das apostas esportivas on-line, conhecidas como bets, geram discussões entre analistas sobre seus possíveis efeitos nas contas públicas.

Pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira apontou empate numérico entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma simulação de segundo turno. Ambos registraram 42% das intenções de voto. No levantamento anterior, Flávio tinha 42%, contra 41% de Lula.

Para Fabrizio Velloni, a perspectiva de uma disputa eleitoral acirrada pode ajudar a explicar por que o real apresentou perdas menores do que outras moedas latino-americanas.

Na avaliação do economista, as expectativas em torno de uma possível mudança de governo influenciam a percepção de risco dos investidores.
O estrategista-chefe de câmbio da BMO Capital Markets, Mark McCormick, também observou que os mercados podem estar antecipando determinados cenários eleitorais. Segundo ele, uma eventual mudança na percepção sobre a política fiscal brasileira poderia afetar o prêmio de risco e as expectativas para os juros.

McCormick pondera, porém, que uma possível melhora na credibilidade fiscal também poderia abrir espaço para cortes da taxa Selic. Nesse caso, a redução do diferencial entre os juros brasileiros e os de outros países poderia diminuir um dos fatores que atualmente favorecem a entrada de recursos no Brasil.

Diante das incertezas externas e do cenário político doméstico, a expectativa é de que o mercado cambial continue atento aos desdobramentos no Oriente Médio, às decisões do Federal Reserve e às movimentações da corrida presidencial brasileira.

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