TCE-MS encontra médicos de plantão ausentes durante fiscalização noturna em unidades de saúde de Campo Grande

Redação 09/10/2026
Uma fiscalização realizada pelo Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul (TCE-MS) na madrugada de quinta-feira (8) identificou possíveis irregularidades no cumprimento dos plantões médicos em unidades de saúde de Campo Grande. A operação foi coordenada pelo conselheiro Osmar Jeronymo e contou com a participação de 11 auditores de controle externo.
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A equipe passou por três Centros Regionais de Saúde (CRSs) e duas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs): Dr. Gunter Hans, na região da Nova Bahia; Dr. Antônio Pereira, no Tiradentes; Dr. Waldeck Fletner de Castro Maia, no Coophavila II; além das UPAs Dr. João Pereira da Rosa, no Aero Rancho, e Santa Mônica.
Durante a vistoria no CRS Tiradentes, acompanhada pessoalmente pelo conselheiro, os auditores relataram a ausência de médicos que deveriam estar de plantão e a presença de profissionais fora da unidade no horário previsto para o trabalho.
A justificativa apresentada à equipe era de que os médicos estariam descansando dentro dos próprios veículos devido às condições do alojamento da unidade. Segundo Osmar Jeronymo, porém, a explicação não foi confirmada pelas constatações feitas no local.
“Constatamos que isso realmente não era verdadeiro e que eles não estavam presentes na unidade”, declarou o conselheiro.
TCE-MS questiona escalas e controle de frequência
Após a fiscalização, o Tribunal encaminhou um ofício ao secretário municipal de Saúde solicitando informações sobre a distribuição dos médicos nos diferentes períodos de atendimento. O documento aponta que dez profissionais estavam relacionados na escala do plantão noturno, o que levantou dúvidas sobre a adequação do número de médicos à demanda registrada.
O órgão quer saber se há excesso de profissionais escalados durante a noite e, ao mesmo tempo, insuficiência de médicos no período diurno, quando a procura por atendimento pode exigir uma equipe maior.
Os auditores também verificaram os mecanismos de controle de frequência utilizados na unidade. Durante a vistoria, foi identificada a utilização simultânea de ponto eletrônico e de folhas de presença preenchidas manualmente.
Outro pedido feito à Secretaria Municipal de Saúde diz respeito à situação funcional dos profissionais escalados. O TCE-MS quer identificar quais médicos são servidores efetivos e quais trabalham como plantonistas, além de verificar se os pagamentos correspondem às jornadas previstas e à presença efetiva nas unidades.
Atendimento na recepção também será avaliado
A fiscalização também observou a dinâmica do atendimento na recepção. De acordo com o conselheiro, algumas pessoas aguardavam no local e foram atendidas rapidamente após a chegada dos representantes do Tribunal.
O episódio também será analisado pela equipe, conforme informou Osmar Jeronymo.
O conselheiro afirmou que as inspeções serão realizadas de forma contínua, tanto durante a noite quanto ao longo do dia, com o objetivo de acompanhar o cumprimento das escalas e a regularidade dos serviços prestados à população.
A Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande tem cinco dias úteis para responder ao ofício encaminhado pelo TCE-MS e apresentar os esclarecimentos solicitados.


