Gelo marinho da Antártida registra terceiro menor máximo de inverno em quase 50 anos


Redação 18/10/2026

Extensão congelada atingiu 17,59 milhões de km² em 2026, e cientistas acompanham o recuo acelerado após o pico de setembro.

O gelo marinho que circunda a Antártida alcançou, em 2026, uma das menores extensões máximas de inverno das últimas cinco décadas. Segundo dados do Centro Nacional de Dados de Neve e Gelo dos Estados Unidos (NSIDC), em parceria com a NASA, a cobertura chegou a 17,59 milhões de quilômetros quadrados, ficando na terceira menor posição da série histórica de observações.

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O pico anual foi registrado em 14 de setembro. Nas semanas seguintes, porém, a área coberta por gelo começou a diminuir rapidamente. A partir de 2 de outubro, a extensão diária passou a apresentar valores recordes de baixa, ficando abaixo dos níveis observados em 2023.

Em relatório divulgado no dia 7 de outubro, o NSIDC destacou a permanência de condições excepcionalmente reduzidas nas regiões polares, reforçando a importância do acompanhamento contínuo dessas mudanças.

Mudanças sazonais influenciam a cobertura de gelo

O comportamento do gelo antártico está diretamente relacionado às características geográficas do continente. Diferentemente do Ártico, que é formado por um oceano cercado por terras, a Antártida é uma massa continental envolvida pelo Oceano Austral.

Durante o inverno, as baixas temperaturas favorecem a expansão do gelo marinho por grandes áreas do oceano. Com a chegada da primavera no Hemisfério Sul, o aumento da temperatura contribui para o derretimento e a redução da cobertura congelada.

Além das variações sazonais, fatores atmosféricos e oceânicos também interferem na formação e na retração do gelo. Apesar dos números registrados em 2026, os pesquisadores ainda não apontam uma causa única para explicar a intensidade dessa redução.

Histórico recente chama a atenção dos pesquisadores

A extensão do gelo marinho antártico apresentou mudanças importantes ao longo das últimas décadas. Entre 2012 e 2014, foram registrados três máximos invernais consecutivos, com valores elevados para o período.

A partir de 2016, entretanto, a região passou a apresentar reduções expressivas, intercaladas por recuperações pontuais em determinados anos.

Em 2026, o recuo após o pico de setembro foi particularmente intenso nos mares de Ross e Amundsen, além de áreas do setor do Oceano Índico. O comportamento reforça a necessidade de monitoramento contínuo por satélites para compreender a evolução da cobertura congelada.

Os cientistas buscam determinar se os registros recentes fazem parte de oscilações naturais do sistema climático ou se representam sinais de uma transformação mais duradoura nos padrões do gelo marinho da Antártida.

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