Psiquiatra alerta que falta de atenção nem sempre indica TDAH

Redação 21/10/2026
Esquecer objetos, adiar tarefas e ter dificuldade para se concentrar são situações comuns no dia a dia. Com a popularização de vídeos e testes nas redes sociais, muitas pessoas passaram a associar esses comportamentos ao Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). No entanto, especialistas alertam que esses sinais podem ter diferentes causas e não são suficientes para confirmar o transtorno.
✅ Siga no Instagram @portaldenoticiasms
O psiquiatra Kleber Vargas, do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap), em Campo Grande, explica que problemas de atenção também podem estar relacionados à ansiedade, depressão, estresse e noites mal dormidas. Por isso, os testes encontrados na internet não devem ser utilizados como forma de autodiagnóstico.
A orientação foi divulgada nesta quarta-feira (21), durante o Outubro Laranja, campanha de conscientização sobre o TDAH. Segundo o médico, identificar características semelhantes às descritas em conteúdos digitais não significa necessariamente que a pessoa tenha o transtorno.
O TDAH é uma condição do neurodesenvolvimento que pode afetar a atenção, o controle dos impulsos e o nível de atividade. Entre as dificuldades estão organizar compromissos, seguir instruções, manter o foco e controlar comportamentos impulsivos. A intensidade e a forma como os sintomas aparecem variam de acordo com cada pessoa.
Entretanto, fatores como excesso de atividades, uso prolongado de telas e falta de sono também podem prejudicar a concentração e a memória. Por isso, a avaliação deve considerar o contexto e o histórico de cada indivíduo.
Diagnóstico exige investigação
De acordo com Kleber Vargas, um aspecto importante para identificar o TDAH é verificar se os sintomas já estavam presentes na infância, mesmo que o diagnóstico só seja feito na idade adulta.
A investigação médica considera a frequência das manifestações, a presença das dificuldades em diferentes ambientes e os impactos na vida pessoal, nos estudos e no trabalho.
O diagnóstico é clínico e deve ser realizado por profissional habilitado, preferencialmente psiquiatra ou neurologista com experiência na condição. Testes e avaliações neuropsicológicas podem contribuir para a análise, mas não confirmam o transtorno de forma isolada.
Tratamento depende de cada paciente
Após a confirmação do diagnóstico, o acompanhamento é definido conforme as necessidades individuais. Entre as possibilidades estão psicoterapia, estratégias para melhorar a organização da rotina e uso de medicamentos, quando houver indicação médica.
O especialista também recomenda evitar a automedicação e o uso de remédios indicados para outras pessoas, já que essas práticas podem trazer riscos à saúde.
Pessoas que apresentam dificuldades frequentes de concentração, organização ou controle dos impulsos, especialmente quando esses problemas prejudicam a rotina, podem procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para receber orientação e encaminhamento.
A principal recomendação é buscar avaliação profissional antes de tirar conclusões a partir de sintomas isolados ou testes disponíveis nas redes sociais. Identificar as dificuldades é importante, mas compreender suas causas exige uma investigação adequada.



