Vegetação perto de casa pode reduzir risco de demência em idosos, aponta estudo


Redação 21/10/2026

Morar perto de árvores e áreas verdes pode estar associado a um menor risco de demência em idosos. Um estudo da Universidade de Estocolmo, na Suécia, acompanhou 2.993 pessoas com 60 anos ou mais e identificou uma relação entre a presença de vegetação próxima às residências e a redução da ocorrência da doença.

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Contato com áreas verdes

A pesquisa acompanhou moradores do distrito de Kungsholmen, em Estocolmo, entre 2001 e 2004, por até 16 anos. No início do levantamento, nenhum participante tinha diagnóstico de demência. Durante o acompanhamento, 477 pessoas desenvolveram a condição.

Para avaliar a exposição à natureza, os pesquisadores utilizaram imagens de satélite e analisaram a quantidade de vegetação em áreas localizadas a 100, 250 e 500 metros das casas.

Os resultados mais expressivos foram observados no raio de 100 metros. Nessa distância, o aumento da vegetação esteve associado a uma redução de aproximadamente 20% no risco de demência.

Diferenças entre homens e mulheres

A associação também variou conforme o sexo dos participantes. Entre as mulheres, a presença adicional de vegetação próxima à residência esteve relacionada a uma redução de risco mais expressiva. Entre os homens, a estimativa foi menor e não apresentou evidências suficientes para estabelecer uma associação consistente.

Segundo os pesquisadores, a proximidade das áreas verdes pode facilitar o contato frequente com a natureza, mesmo para quem tem dificuldades para realizar caminhadas longas.

Ambiente urbano e saúde cerebral

A relação entre vegetação e menor risco de demência permaneceu após os pesquisadores considerarem fatores como idade, atividade física, escolaridade, renda, tabagismo, poluição do ar e ruído do trânsito.

Apesar dos resultados, o estudo não comprova que morar perto de árvores previna diretamente a doença. Os autores ressaltam que são necessárias novas pesquisas para verificar se a associação também ocorre em outras populações e contextos urbanos.

A investigação foi realizada em um distrito de Estocolmo com características socioeconômicas específicas, o que limita a generalização dos resultados para outras regiões.

Os achados reforçam o interesse científico sobre o papel das áreas verdes no envelhecimento saudável e apontam que a distribuição de vegetação nas cidades pode ser um aspecto importante no planejamento urbano.

O estudo foi publicado na revista científica Alzheimer’s & Dementia. No Brasil, a demência representa um desafio crescente de saúde pública, especialmente diante do envelhecimento da população.

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