Câncer de intestino em jovens: Humap alerta para sintomas e orienta como buscar diagnóstico pelo SUS


Redação 22/10/2026

O câncer colorretal não atinge apenas pessoas idosas e também pode se manifestar em adultos jovens. Diante desse cenário, o Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS), em Campo Grande, reforça a importância da detecção precoce e orienta sobre os fatores de risco, os exames disponíveis e os caminhos para investigar a doença pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

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O tema ganhou repercussão após a morte da atriz e cantora Lua Blanco, aos 39 anos, em decorrência de câncer de intestino. Outros casos conhecidos, como os do ator Chadwick Boseman, que morreu aos 43 anos, e da cantora Preta Gil, aos 50, também chamaram a atenção para a doença.

Segundo o médico Odinilson Almeida Fonseca, da área de Coloproctologia do Humap-UFMS, vinculado à HU Brasil, o tumor pode evoluir sem manifestações evidentes nas fases iniciais. Quando surgem, os sintomas podem ser confundidos com problemas intestinais benignos, o que pode atrasar a procura por atendimento.

Quais sinais merecem atenção?

O câncer colorretal é um tumor maligno que afeta o cólon e o reto, partes do intestino grosso. Muitos casos se desenvolvem a partir de pólipos, pequenas lesões na parede intestinal que podem sofrer alterações e se tornar malignas ao longo do tempo.

Entre as manifestações que merecem avaliação médica estão:

  • Sangue vivo ou escuro nas fezes;
  • Diarreia ou constipação persistentes ou recorrentes;
  • Dor ou desconforto abdominal frequente;
  • Sensação de evacuação incompleta;
  • Perda de peso sem causa aparente;
  • Anemia, palidez, fraqueza ou cansaço prolongado.

O sangramento pode ser discreto e não ficar visível. Quando ocorre por um período prolongado, mesmo em pequenas quantidades, pode levar à anemia.

Uma revisão publicada na revista científica JAMA Network Open, que reuniu 81 estudos e dados de mais de 24,9 milhões de pessoas com menos de 50 anos, identificou o sangramento retal como o sintoma mais frequente entre pacientes com câncer colorretal de início precoce, presente em 45% dos casos analisados. Dor abdominal foi registrada em 40% e alterações do hábito intestinal, em 27%.

O estudo também apontou um intervalo médio de 6,4 meses entre o início dos sintomas e o diagnóstico. Os percentuais se referem a pacientes que tinham a doença e não representam a probabilidade de alguém com essas manifestações desenvolver câncer.

Diagnósticos em pessoas jovens preocupam especialistas

Embora o risco aumente com a idade, pesquisas internacionais apontam crescimento da incidência de câncer colorretal entre adultos mais jovens. Um estudo publicado na The Lancet Oncology identificou aumento dos casos entre pessoas de 25 a 49 anos em 27 das 50 populações analisadas.

Em 20 dessas populações, o crescimento entre os mais jovens foi mais rápido do que entre adultos de 50 a 74 anos ou ocorreu exclusivamente na faixa etária mais jovem. O Brasil não integrou a pesquisa, portanto os resultados não constituem uma estimativa direta da situação brasileira.

No país, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 53.810 novos casos de câncer de cólon e reto por ano no triênio de 2026 a 2028, considerando homens e mulheres. Para a Região Centro-Oeste, a estimativa é de 3.900 casos anuais.

Entre os fatores que aumentam o risco estão histórico familiar da doença, síndromes hereditárias, antecedentes de pólipos avançados e doenças inflamatórias intestinais, como retocolite ulcerativa e doença de Crohn. Sedentarismo, obesidade, tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas e padrões alimentares desfavoráveis também estão associados ao desenvolvimento do câncer.

A idade, por si só, não deve ser usada para descartar a possibilidade da doença. Ao mesmo tempo, a colonoscopia não é indicada automaticamente para todos os jovens sem sintomas: a necessidade do exame depende da avaliação clínica e dos fatores de risco individuais.

Rastreamento pelo SUS será ampliado

O rastreamento é destinado a pessoas sem sintomas e busca identificar sinais de uma possível doença antes que ela se manifeste. Já a investigação diagnóstica é necessária quando há suspeita clínica e não deve depender da idade recomendada para o rastreamento.

Em outubro de 2026, o Ministério da Saúde anunciou a distribuição inicial de 400 mil testes imunoquímicos fecais (FIT) para ampliar o rastreamento do câncer colorretal pelo SUS. A implementação está prevista para começar gradualmente em novembro, inicialmente em capitais e municípios com mais de 500 mil habitantes, para homens e mulheres assintomáticos de 50 a 75 anos.

O FIT detecta pequenas quantidades de sangue oculto nas fezes. Um resultado positivo não confirma câncer, mas indica a necessidade de investigação complementar e, conforme o protocolo, realização de colonoscopia.

A implantação gradual do programa não deve atrasar a avaliação de quem já apresenta sintomas ou possui fatores de risco que exigem acompanhamento individualizado.

Como conseguir diagnóstico pelo SUS

A investigação pode começar em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou com uma equipe de Saúde da Família. Na consulta, o profissional avalia o histórico clínico, os medicamentos utilizados, a duração das alterações e os antecedentes pessoais e familiares.

Conforme a avaliação, podem ser solicitados hemograma, exames para verificar deficiência de ferro e outros testes laboratoriais. Também pode haver encaminhamento para gastroenterologia, coloproctologia ou outro serviço especializado.

A colonoscopia é um dos principais exames para investigar o câncer colorretal. O procedimento permite visualizar o interior do intestino e retirar amostras de tecido para biópsia, que pode confirmar o diagnóstico.

A Lei nº 13.896/2019 estabelece prazo de até 30 dias para a realização dos exames necessários à elucidação de uma suspeita de câncer, quando houver solicitação médica fundamentada. Esse prazo diz respeito à realização dos exames indicados e não significa que todo o processo diagnóstico estará necessariamente concluído nesse período.

Tratamento depende do estágio da doença

Após a confirmação por biópsia, são realizados exames para avaliar a extensão do tumor e definir a estratégia terapêutica. A investigação pode incluir tomografias do tórax, abdome e pelve. Nos casos de câncer no reto, a ressonância magnética da pelve pode ajudar a determinar a extensão local da doença.

A avaliação também pode incluir exames laboratoriais, como hemograma e testes das funções renal e hepática. O antígeno carcinoembrionário (CEA) pode servir como referência para acompanhamento, mas não é suficiente, isoladamente, para confirmar o câncer.

O tratamento varia conforme a localização, o estágio e as características do tumor, além das condições clínicas do paciente. As opções incluem cirurgia, quimioterapia, radioterapia — especialmente nos tumores do reto — ou a combinação dessas modalidades.

Em Mato Grosso do Sul, o acesso aos serviços ocorre conforme os fluxos assistenciais e a regulação do SUS. O Humap-UFMS e o Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS) integram a rede pública, mas têm atribuições próprias. A definição da unidade de referência depende da avaliação clínica e do encaminhamento pela rede de saúde.

Quando procurar atendimento de urgência

Dor abdominal intensa, distensão importante, vômitos persistentes ou incapacidade de evacuar e eliminar gases podem indicar complicações, como obstrução intestinal, e exigem atendimento imediato.

A orientação do Humap-UFMS é buscar avaliação médica diante de alterações persistentes, sem presumir que sejam causadas por câncer, mas também sem ignorar a possibilidade. A investigação adequada permite identificar a origem dos sintomas e definir o tratamento mais indicado.

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