Santa Casa perde habilitação para radioterapia pelo SUS e pode ter mudanças no transplante renal


Redação 28/10/2026

A Santa Casa de Campo Grande perdeu oficialmente a habilitação para realizar radioterapia pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado nesta quarta-feira (28) e formaliza a retirada de um serviço que, segundo o hospital, não é oferecido desde 2019.

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A desabilitação foi solicitada pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), em agosto, e aprovada pela Comissão Intergestores Bipartite (CIB). Com a medida, os pacientes que necessitam de radioterapia deverão ser encaminhados ao Hospital do Câncer Alfredo Abrão ou ao Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap).

O tratamento utiliza radiação para destruir células cancerígenas e é parte importante do atendimento de diversos tipos de câncer. Como pode exigir sessões frequentes, a organização dos encaminhamentos é fundamental para evitar interrupções na assistência aos pacientes.

Funcionários da Santa Casa explicou que possuía habilitação para o serviço, mas não contava com acelerador linear próprio para realizar os procedimentos. Segundo o hospital, os R$ 250 mil recebidos para custear o atendimento eram repassados integralmente a uma empresa terceirizada responsável pela execução do tratamento.

A instituição afirmou que os custos administrativos e a ausência de retorno financeiro tornavam a operação deficitária. Ainda conforme o hospital, o governo estadual interveio em um acordo para transferir os recursos destinados à radioterapia ao Hospital do Câncer.

Apesar da retirada dessa habilitação, a Santa Casa continuará autorizada a atender pacientes com doenças do sangue por meio do serviço de hematologia.

Equipe de transplante renal deve deixar hospital

Além da mudança na radioterapia, a Santa Casa enfrenta a possibilidade de interrupção dos serviços de Urologia e Transplante Renal. A equipe responsável comunicou que pretende encerrar os atendimentos à meia-noite de 1º de novembro.

O aviso foi encaminhado formalmente ao hospital em 21 de outubro pela Uroclinic Serviços Médicos e pela equipe de transplante renal. Entre os motivos apontados estão atrasos recorrentes no pagamento dos honorários médicos e a ausência de contrato vigente com a instituição.

Os profissionais informaram que manterão os atendimentos previstos na escala atual até as 23h59 de 31 de outubro.

Diante do risco de descontinuidade da assistência, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) cobrou esclarecimentos sobre as providências adotadas para garantir a continuidade dos serviços e evitar que pacientes fiquem desassistidos.

Até o momento, as informações apresentadas não esclarecem quais medidas serão adotadas para assegurar a manutenção dos atendimentos de Urologia e Transplante Renal após a saída da equipe.

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