Dólar se aproxima de R$ 5,50 e Ibovespa cai pela sexta sessão seguida nesta terça-feira


Redação 03/11/2026

Mercado reage à piora das expectativas econômicas e aguarda decisão do Banco Central sobre a taxa Selic

O dólar registrava valorização nesta terça-feira (3), primeiro pregão de novembro, enquanto a Bolsa brasileira acumulava mais um dia de perdas. O movimento refletia a preocupação dos investidores com o cenário fiscal, a inflação e os próximos passos da política monetária.

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Às 15h14, a moeda norte-americana avançava 0,82%, cotada a R$ 5,4895. Dois minutos depois, o Ibovespa, principal indicador da B3, apresentava queda de 1,50%, aos 165.410,23 pontos, caminhando para o sexto recuo consecutivo.

A movimentação ocorre na véspera da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que se reúne nesta terça e quarta-feira (4) para definir a taxa básica de juros, atualmente em 13,75% ao ano.

Dólar acumula forte valorização

A moeda norte-americana continuava pressionando o real após encerrar outubro com alta aproximada de 5,22%, cotada a R$ 5,444.

Somente na última semana do mês, o dólar acumulou valorização de 9,04%, o maior avanço semanal desde outubro de 2008.

Entre os fatores que influenciam o câmbio estão as incertezas sobre a condução das contas públicas e a composição da equipe econômica do próximo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

As projeções do mercado financeiro também passaram por revisões. Segundo o Relatório Focus, divulgado nesta terça-feira, a estimativa para o dólar no encerramento de 2026 subiu de R$ 5,05 para R$ 5,34.

Para 2027, a previsão passou de R$ 5,15 para R$ 5,40. Já para 2028, avançou de R$ 5,20 para R$ 5,40, enquanto a estimativa para 2029 aumentou de R$ 5,28 para R$ 5,45.

Bolsa brasileira amplia sequência negativa

O Ibovespa também enfrentava pressão vendedora, depois de encerrar outubro com desvalorização de 9,88%, seu pior desempenho mensal desde junho de 2022.

Durante a sessão desta terça-feira, o índice chegou a cair 2,07%, atingindo 164.446,53 pontos, antes de recuperar parte das perdas.

O ambiente de cautela está relacionado às preocupações fiscais e às expectativas sobre as medidas econômicas que poderão ser adotadas pelo governo federal.

As propostas apresentadas pelo economista André Lara Resende também repercutiram entre os investidores. Entre as sugestões estão a redução da Selic para aproximadamente 7,5% em 12 meses, a criação de um conselho de coordenação das políticas fiscal e monetária e a utilização das reservas internacionais para conter oscilações excessivas do câmbio.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que as propostas apresentam deficiências e não estão sendo discutidas com o presidente Lula.

Mercado aguarda decisão sobre juros

A reunião do Copom concentra as atenções dos investidores diante da possibilidade de interrupção do ciclo de redução da taxa básica de juros.

Parte dos analistas ainda considera possível um corte de 0,25 ponto percentual, mas a piora das expectativas de inflação e a valorização do dólar aumentaram as apostas na manutenção da Selic em 13,75% ao ano.

A XP Investimentos revisou sua projeção e passou a esperar que o Banco Central mantenha os juros no patamar atual.

A instituição apontou a desvalorização do real, os preços elevados do petróleo e a deterioração das expectativas inflacionárias como fatores que recomendam maior cautela.

A XP também passou a prever a Selic em 13,75% até o encerramento de 2027.

No mercado de juros futuros, as taxas dos contratos mais longos apresentavam elevação. Às 15h01, o contrato com vencimento em janeiro de 2029 marcava 15,165% ao ano, enquanto o de janeiro de 2031 atingia 15,495%.

TIM e Embraer avançam apesar da queda da Bolsa

Mesmo com o desempenho negativo do Ibovespa, algumas empresas registravam valorização durante a tarde.

As ações da TIM (TIMS3) subiam 3,65%, enquanto os papéis da Embraer (EMBJ3) avançavam 3,60%.

Também apresentavam ganhos as ações preferenciais da Usiminas (USIM5), com alta de 3%, os papéis da Suzano (SUZB3), que subiam 2,19%, e as units do Santander Brasil (SANB11), com valorização de 1,88%.

Os investidores seguem atentos à decisão do Copom, prevista para quarta-feira (4), que poderá influenciar o comportamento do dólar, da Bolsa e dos juros nos próximos pregões.

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