Presidente do Paraguai renuncia após crise bancária e pressão por impeachment

Redação 05/11/2026
Santiago Peña anunciou saída do cargo nesta quinta-feira (5), após intervenção no Ueno Bank deixar milhões de clientes sem acesso ao dinheiro. Vice-presidente Pedro Alliana deverá assumir o governo.
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia nesta quinta-feira (5), em meio a uma crise financeira provocada pela intervenção no Ueno Bank, uma das maiores instituições bancárias do país. A decisão ocorreu enquanto o Congresso discutia a abertura de um processo de impeachment contra o chefe do Executivo.
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A saída foi comunicada por Peña em um vídeo publicado nas redes sociais. O presidente afirmou que tomou a decisão para preservar a estabilidade do Paraguai e o funcionamento das instituições democráticas.
A renúncia ainda depende dos procedimentos previstos na legislação paraguaia para produzir efeitos oficiais. Com a saída de Peña, o vice-presidente Pedro Alliana deverá assumir a Presidência e completar o mandato, previsto para terminar em agosto de 2028.
Crise bancária atinge milhões de clientes
A crise começou após o Banco Central do Paraguai determinar, na terça-feira (3), o início do processo de resolução do Ueno Bank, instituição financeira que atendia aproximadamente 2,9 milhões de clientes.
A decisão foi tomada depois que o órgão regulador identificou problemas graves nos indicadores de solvência do banco. Segundo o Banco Central, o índice ficou abaixo de 50% do mínimo exigido pela legislação.
As investigações também apontaram operações de crédito envolvendo empresas vinculadas ao grupo controlador e problemas na documentação de determinadas transações.
A intervenção provocou o bloqueio do acesso aos recursos de clientes e desencadeou manifestações de correntistas que exigem a devolução do dinheiro.
Ligações com banco aumentaram pressão política
A crise financeira ganhou dimensão política devido às antigas relações comerciais de Santiago Peña com o grupo empresarial ligado ao Ueno Bank.
O presidente foi acionista de uma empresa do grupo até 2025. A ligação passou a ser questionada por parlamentares da oposição, que levantaram suspeitas de conflito de interesses e cobraram explicações sobre a fiscalização da instituição.
O banco também recebeu depósitos de órgãos públicos durante o governo Peña, incluindo recursos vinculados ao sistema previdenciário paraguaio.
A pressão pelo afastamento do presidente cresceu após o agravamento da crise. Parlamentares de oposição e integrantes do próprio Partido Colorado passaram a apoiar medidas para responsabilizar politicamente o mandatário.
Presidente pede desculpas e defende devolução dos depósitos
Ao anunciar a renúncia, Peña pediu desculpas à população e afirmou que a prioridade deve ser proteger os cidadãos afetados pela crise bancária.
O presidente também defendeu a utilização dos mecanismos de garantia de depósitos para assegurar a devolução dos recursos aos correntistas e a proteção do dinheiro público.
A crise provocou ainda mudanças na direção do Banco Central paraguaio e investigações sobre a administração da instituição financeira.
Congresso analisa saída e sucessão presidencial
A renúncia abre uma nova etapa na crise política do Paraguai.
O Congresso deverá concluir os procedimentos relacionados à saída de Peña e à sucessão presidencial.
Pedro Alliana, atual vice-presidente, é o nome previsto para assumir o comando do país, conforme as regras constitucionais.
Peña estava na Presidência desde 15 de agosto de 2023, após vencer as eleições pelo Partido Colorado.



