Da fama ao abandono: ex-integrante do Raça Negra morre aos 69 anos em SP

Redação 06/06/2025
Edson Café foi encontrado desacordado na rua e faleceu em hospital; caso é investigado como morte suspeita.
A trajetória de Edson Bernardo de Lima, mais conhecido como Café, ex-músico do grupo Raça Negra, chegou ao fim de forma triste. Aos 69 anos, ele morreu após ser encontrado desacordado em uma calçada da zona leste de São Paulo no último domingo (1º/6). Levado ao hospital, Café não resistiu.
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o músico foi socorrido por equipes de emergência e encaminhado primeiro à UPA Carrão, sendo depois transferido ao Hospital Municipal do Tatuapé, onde veio a óbito. O corpo foi reconhecido no IML Leste por familiares. O caso foi registrado como morte suspeita e está sendo investigado pelo 52º Distrito Policial.
Da glória aos palcos à luta nas ruas
Café fez parte do Raça Negra durante os anos de maior sucesso do grupo, como violonista. Mas tudo mudou após um AVC, que o deixou sem movimentos nos braços. Afastado dos palcos, o músico enfrentou uma série de dificuldades que o levaram a situações de vulnerabilidade extrema.
Nos anos seguintes, entre recaídas no uso de drogas, passagens por clínicas de reabilitação e tentativas frustradas de retomada da vida familiar, Café acabou nas ruas de São Paulo e do Rio de Janeiro. Em 2020, em entrevista à imprensa, relatou os desafios de manter a sobriedade vivendo na rua:
“Não tem como morar na rua e não fumar um baseado, não dá”.
Mesmo em meio à dependência química, buscava meios de se manter ocupado para resistir aos vícios. Cuidava de carros e evitava permanecer ocioso. “Se eu ficar parado, fico com vontade de usar. Prefiro sair, dar um rolê, ganhar um trocado”, disse na época.
Uma fã chegou a acolhê-lo em São Paulo, na tentativa de oferecer apoio e abrigo. Mas, com o passar do tempo, ele retornou às ruas. A causa exata da morte ainda será definida após exames do Instituto Médico Legal.


