Cachoeira Água Branca é reconhecida como reserva natural e está livre de ameaça de hidrelétrica


Redação 08/06/2025

A Cachoeira Água Branca, segunda maior do Mato Grosso do Sul, agora está oficialmente protegida. O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) publicou na última quinta-feira (5) a Portaria nº 2.081, que transforma a área em Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), encerrando definitivamente os planos de construção de uma usina hidrelétrica que ameaçava a beleza e o ecossistema local.

A decisão representa uma vitória para ambientalistas, turistas e comunidades da região, que há anos se mobilizam contra o projeto da Pequena Central Hidrelétrica (PCH) Cipó. A instalação da represa colocaria em risco até 80% do volume de água da cachoeira, prejudicando severamente o principal atrativo da Serra de Maracaju.

Ameaça cancelada

Em 2021, o Imasul (Instituto de Meio Ambiente de MS) havia concedido a licença prévia para o empreendimento sem exigir estudo de impacto ambiental. A justificativa foi de que tal exigência geraria “expectativas e custos desnecessários” ao empreendedor. No entanto, em 2023, o Ministério Público Estadual (MPE) interveio, recomendando a suspensão da licença e exigindo estudos ambientais detalhados.

De acordo com o MPE, a geração de energia proposta (3,2 megawatts, reduzidos depois para 2 MW) não justificava o impacto negativo ao meio ambiente e à atividade turística. Além disso, o projeto previa gerar apenas dois ou três empregos diretos.

Mobilização regional

A investigação do MPE foi motivada por uma coalizão formada por 43 organizações socioambientais da Bacia do Alto Paraguai, englobando entidades do Brasil, Bolívia e Paraguai. A cachoeira faz parte do Corredor de Biodiversidade Emas-Taquari e contribui para o abastecimento do Pantanal, o que reforça sua importância ecológica.

A empresa responsável pela proposta, que detém propriedades na região, argumentou que o objetivo da hidrelétrica era justamente fomentar o turismo no local. No entanto, a promotoria considerou a justificativa incoerente, visto que o projeto colocava em risco o principal atrativo natural da área.

Preservação garantida

Com mais de 80 metros de queda livre, a Cachoeira Água Branca agora está oficialmente protegida por meio da RPPN, uma das ferramentas mais eficazes de conservação ambiental no Brasil. A medida garante não só a preservação da biodiversidade local, mas também a manutenção da atividade turística sustentável, assegurando a beleza natural para as futuras gerações.

A criação da RPPN marca um capítulo histórico na defesa dos recursos naturais do Mato Grosso do Sul e representa uma vitória da sociedade civil e dos órgãos ambientais frente a interesses econômicos de curto prazo.

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