Onça-pintada volta a rondar bairro Generoso e moradores vivem sob toque de recolher em Corumbá

Redação 08/06/2025
Uma onça-pintada foi flagrada novamente na noite de sexta-feira (6) circulando pelo bairro Generoso, em Corumbá (MS), intensificando o medo entre moradores que há meses convivem com aparições do felino. O animal foi registrado por câmeras de segurança andando no quintal da casa de Clara da Silva Pereira Duarte, próxima ao Mirante da Capivara. Assustada, a família gritou, e a onça fugiu.
O Batalhão da Polícia Militar Ambiental (BPMA) foi acionado e esteve no local para conversar com os moradores. Segundo o genro de Clara, Odney Edson de Souza Torres, o comportamento agitado das galinhas da vizinha alertou para a presença da onça. “Estouramos bombinhas e elas se acalmaram, mas voltaram a se agitar minutos depois. Foi quando minha cunhada ligou avisando que o animal havia sido visto e registrado pela câmera”, relatou.
Medo e mudanças na rotina
A família adotou um “toque de recolher” após o episódio. Todos entram em casa antes das 18h, e os cães são recolhidos. “Vivemos reféns da situação. Não sabemos como o animal pode reagir. Só saímos com vigilância pelas câmeras e checamos a frente de casa antes mesmo de descer do carro”, contou Odney.
A mesma onça, ou possivelmente mais de uma, já foi vista diversas vezes no bairro Generoso, gerando pânico entre os moradores. Relatos apontam que cães estão sendo atacados e mortos. Mesmo moradores antigos afirmam que nunca presenciaram uma situação semelhante.
Clara, que mora há 40 anos na região, teve sua casa invadida no fim de maio, quando a onça atacou uma de suas cadelas. O episódio, captado por câmeras de segurança, ganhou repercussão nacional.
Falta de alimento pode explicar invasões
Durante visita da equipe do Jornal Midiamax ao bairro na última quinta-feira (5), agentes da Fundação de Meio Ambiente do Pantanal (FMAP) distribuíam panfletos e orientações sobre como lidar com a presença das onças.
Segundo Arleni Morinigo, médica-veterinária da FMAP, o aumento das aparições é consequência das queimadas dos últimos anos. “Com a destruição do habitat e escassez de alimento, elas se aproximam da cidade. Já estão acostumadas com a presença humana”, explicou.


