Dólar tem forte queda e fecha no menor valor desde outubro, com alívio geopolítico e dados positivos da China

Redação 16/05/2025
O dólar iniciou a semana em forte queda no mercado brasileiro, encerrando a segunda-feira (16) com recuo de 1%, cotado a R$ 5,4861, o menor valor de fechamento desde 7 de outubro de 2023. A queda reflete a menor aversão ao risco no exterior diante da percepção de que o conflito entre Israel e Irã não deve se intensificar, além de dados positivos da economia chinesa e a expectativa por decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos.
Durante o pregão, a moeda americana chegou à mínima de R$ 5,4856. Com o recuo, o dólar acumula queda de 4,08% em junho e desvalorização de 11,23% no ano. O real teve o melhor desempenho entre as moedas latino-americanas nesta sessão e ficou atrás apenas do rublo russo e do shekel israelense no ranking das divisas mais líquidas.
Cenário internacional favorece emergentes
Segundo Adauto Lima, economista-chefe da Western Asset, o arrefecimento das tensões no Oriente Médio e os sinais de desaceleração moderada nos EUA estimulam o apetite por risco:
“O mercado está tirando os prêmios de risco da guerra. E os dados da China ajudam moedas da América Latina, como o real.”
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o Irã “precisa negociar o mais rápido possível antes que seja tarde demais”. Já o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, disse que o país não quer escalar o conflito, mas reagirá a agressões israelenses.
No exterior, o índice DXY – que mede o dólar frente a seis moedas fortes – recuava 0,05%, sinalizando enfraquecimento global da moeda americana. Os contratos do petróleo Brent caíram 1,35%, a US$ 73,23, também refletindo a menor tensão geopolítica.
Juros e política monetária no radar
Investidores aguardam com expectativa as decisões do Copom (Brasil) e do Fed (EUA) na próxima quarta-feira (18). A projeção majoritária é de manutenção das taxas de juros em ambos os países.
Lima acredita que o Copom manterá a Selic em 14,75% ao ano, destacando preocupações com a política fiscal e expectativas de inflação desancoradas:
“O Copom deve sinalizar que a Selic continuará alta por mais tempo, para garantir a convergência da inflação à meta.”
Cenário político e atuação do BC
No ambiente político, a Câmara dos Deputados pode votar nesta segunda o pedido de urgência para o projeto que derruba o decreto do governo Lula sobre o aumento do IOF. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), se reuniu com representantes do Planalto para discutir o tema.
Já o Banco Central vendeu US$ 1 bilhão em dois leilões de linha com recompra, contribuindo para liquidez no câmbio. A balança comercial brasileira também segue positiva: superávit de US$ 1,215 bilhão na segunda semana de junho e US$ 27,539 bilhões acumulados no ano.


