Dólar recua e fecha junho a R$ 5,43, menor valor desde setembro; real lidera ganhos globais

Redação 30/06/2025
O dólar encerrou a sessão desta segunda-feira (30) com forte queda, cotado a R$ 5,4341, no menor valor de fechamento desde 19 de setembro de 2023. A moeda norte-americana acumulou desvalorização de 12,07% no primeiro semestre de 2025, após ter subido 27,34% em relação ao real no início do ano. A queda semanal foi de 4,99%, a maior desde janeiro.
O movimento foi impulsionado por um novo enfraquecimento global da moeda dos EUA e pela queda nos rendimentos dos Treasuries, com o mercado ampliando as apostas de que o Federal Reserve poderá iniciar cortes nos juros ainda este ano. A percepção ganhou força diante de pressões políticas do ex-presidente Donald Trump, que vem criticando a atuação do Fed.
Real lidera entre moedas globais
O real foi a moeda de melhor desempenho do dia entre as divisas mais líquidas, seguido pelo peso chileno. A sessão também foi marcada pela formação da última Ptax de junho, do segundo trimestre e do primeiro semestre — o que contribuiu para acentuar a volatilidade no mercado local.
O dólar atingiu a mínima de R$ 5,4247 durante a tarde. No cenário externo, o índice DXY — que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes — caiu 0,50% e rompeu o patamar dos 97 mil pontos, atingindo 96.806, o menor nível desde março de 2022. Em junho, o índice acumula queda de cerca de 2,6%.
Projeções indicam continuidade de queda
Para Cristiano Oliveira, diretor de Pesquisa Econômica do Banco Pine, há espaço para mais queda do dólar no curto prazo. Ele projeta o câmbio em R$ 5,33 até meados de agosto. Já o economista-chefe da Equator Investimentos, Eduardo Velho, aponta que indicadores recentes — como o PCE de maio e as expectativas de inflação mais baixas nos EUA — reforçam a possibilidade de cortes nos juros americanos.
Velho destaca ainda a perda de apelo do dólar como reserva internacional, especialmente após o chamado Liberation Day, em 2 de abril, quando Trump anunciou tarifas recíprocas que aumentaram a incerteza econômica.
Segundo ele, embora o carry trade (investimento estrangeiro motivado pelos juros altos no Brasil) tenha sido atrativo, não houve melhora significativa no fluxo financeiro para o País. Ainda assim, o real se valorizou em razão do enfraquecimento do dólar no mercado global.
Expectativa com cenário político
Alex Lima, fundador da DA Economics, também vê espaço para o real se fortalecer. Em suas projeções, a taxa de câmbio pode se aproximar dos R$ 5,30. Ele atribui esse movimento à condução errática da política econômica e comercial dos EUA e à perspectiva de uma eventual mudança de governo no Brasil após as eleições de 2026, que traria uma gestão “mais fiscalmente responsável”.


