Sono ruim? Especialistas explicam como alimentação influencia na qualidade do descanso

Redação 06/07/2025
Você tem a sensação de acordar cansado, mesmo após horas na cama? A resposta pode estar no que você anda comendo à noite. Em um cenário marcado por estresse, ansiedade e más práticas alimentares, especialistas alertam que a escolha dos alimentos antes de dormir tem impacto direto — positivo ou negativo — na qualidade do sono.
Somente em 2024, Mato Grosso do Sul registrou mais de 8 mil afastamentos temporários do trabalho relacionados a transtornos como ansiedade e depressão. Embora esses quadros não estejam diretamente ligados à insônia, são reconhecidos como principais gatilhos para distúrbios do sono.
Um estudo da Fiocruz, divulgado em junho deste ano, revelou que 72% dos brasileiros enfrentam algum tipo de distúrbio do sono. Entre os entrevistados, 45% relataram insônia e 15% convivem com insônia crônica.
Mudança no prato, mudança no sono
A pedagoga Elcina Campiteli, de 53 anos, compartilha que passou a adaptar sua alimentação para melhorar o descanso noturno. “Evito cafeína, chocolate, refrigerante e refeições pesadas depois das 19h. Isso ajuda a não ir dormir estufada ou com refluxo”, comenta.
Além disso, ela relata que consome frutas, iogurtes, castanhas e alimentos leves no jantar. “Quando como tarde, preciso esperar muito tempo para poder deitar. Parece que a comida vai voltar. Isso altera toda minha rotina”, explica.
Mesmo com os cuidados, Elcina enfrenta dificuldades recorrentes para dormir. “Acordo quase todas as noites. Às vezes, fico de 40 minutos a três horas sem conseguir dormir de novo. Então, controlar o que como à noite é essencial pra mim.”
Já a publicitária Mariana Bernardy, de 44 anos, sempre manteve uma dieta equilibrada, mas sofria com sono excessivo. O problema, segundo sua nutricionista, estava no excesso de café.
“Eu achava que o café não me afetava, mas acordava sem energia, mesmo dormindo bem. Quando cortei a cafeína por duas semanas, senti diferença. Hoje durmo melhor e acordo disposta”, relata Mariana. Ela continua consumindo a bebida, mas de forma mais moderada.
Comer tarde pode até causar pesadelos
A nutricionista Maria Rita Teixeira destaca que o intervalo entre o jantar e o sono é crucial para uma boa noite de descanso. “O ideal é jantar até as 18h. Três horas antes de dormir, no mínimo. Assim, o corpo não está mais ocupado com a digestão e consegue produzir melatonina, o hormônio do sono”, explica.
Segundo ela, refeições pesadas ou tardias podem atrapalhar esse processo, causar azia, refluxo e até pesadelos. “Enquanto o corpo digere, ele não foca em descansar. Isso interfere diretamente no sono”, afirma.
A recomendação da especialista é priorizar alimentos leves no jantar, como legumes cozidos, sopas e carnes magras, e evitar café, chocolate, bebidas alcoólicas, comidas gordurosas, chás estimulantes e pratos apimentados.


