Brasil responderá tarifaço dos EUA, Lula promete retaliação ao tarifaço de Trump com Lei de Reciprocidade Econômica

Redação 10/07/2025
Presidente afirma que Brasil é soberano e que tarifas unilaterais serão respondidas com contramedidas comerciais
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou, nesta quarta-feira (9), que o Brasil responderá ao tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros com base na Lei de Reciprocidade Econômica, sancionada em abril deste ano.
Em publicação nas redes sociais, Lula criticou a decisão do presidente norte-americano, Donald Trump (Republicano), e classificou como falsa a justificativa de que as tarifas se devem a um suposto déficit na balança comercial entre os dois países.
“As estatísticas do próprio governo dos Estados Unidos comprovam um superávit desse país no comércio de bens e serviços com o Brasil da ordem de US$ 410 bilhões ao longo dos últimos 15 anos”, afirmou.
A Lei de Reciprocidade autoriza o Executivo, em coordenação com o setor privado, a adotar contramedidas como restrições a importações, suspensão de concessões comerciais, de investimentos e de obrigações relativas à propriedade intelectual, sempre que houver medidas unilaterais que afetem a competitividade do Brasil.
“Qualquer medida de elevação de tarifas de forma unilateral será respondida à luz da Lei brasileira. A soberania, o respeito e a defesa dos interesses do povo brasileiro orientam nossa relação com o mundo”, declarou Lula.
Defesa das instituições brasileiras
O presidente também rebateu críticas feitas por Trump ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), réu por tentativa de golpe de Estado. Trump alegou que a imposição das tarifas também é uma resposta às ordens judiciais do STF contra perfis de apoiadores de Bolsonaro, inclusive nos EUA.
“O processo judicial contra aqueles que planejaram o golpe de Estado é de competência da Justiça Brasileira, e não está sujeito a ingerência ou ameaças externas”, afirmou Lula.
Liberdade de expressão e redes sociais
Sobre críticas de Trump à atuação do STF nas redes sociais, Lula destacou que o Brasil não tolera conteúdos que incentivem o ódio ou atentem contra os direitos humanos:
“Liberdade de expressão não se confunde com agressão ou práticas violentas. No Brasil, todas as empresas — nacionais e estrangeiras — devem seguir a legislação brasileira”, afirmou o presidente.
Reunião de emergência
Antes de tornar pública a resposta, Lula reuniu seus principais ministros no Palácio do Planalto. Participaram Fernando Haddad (Fazenda), Mauro Vieira (Relações Exteriores), Rui Costa (Casa Civil), Sidônio Palmeira (Secom) e o vice-presidente Geraldo Alckmin, que também é ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.


