Ato “Congresso Inimigo do Povo” reúne manifestantes no Centro de Campo Grande


Redação 10/07/2025

Protesto nacional pede taxação dos super-ricos, fim da jornada 6×1 e critica Congresso por retrocessos sociais e econômicos.

Na noite desta quinta-feira (10), trabalhadores de diversas idades e movimentos sociais se reuniram na região central de Campo Grande (MS) em um ato nacional intitulado “Congresso Inimigo do Povo”, que ocorreu simultaneamente em várias capitais do país. A mobilização teve início por volta das 18h, na entrada da Praça Ary Coelho, na esquina da Avenida Afonso Pena com a Rua 14 de Julho.

Entre as principais pautas do protesto estavam a taxação dos super-ricos, o fim da jornada de trabalho 6×1 (seis dias de trabalho para apenas um de descanso), críticas ao aumento no número de deputados federais e denúncias contra retrocessos sociais promovidos pelo Congresso Nacional.

“É uma questão de sobrevivência”

A técnica de enfermagem Kensy Palácio destacou a importância do ato como ferramenta de resistência. “Está na hora dos cidadãos e cidadãs brasileiras terem tempo para viver, estudar, curtir a família. É uma questão de qualidade de vida, tudo está interligado”, afirmou.

Presente na manifestação, o deputado estadual Pedro Kemp (PT) enfatizou a necessidade de conscientização popular sobre a desigualdade tributária no país. “A carga tributária é pesada, sim, mas para os assalariados e a classe média. Os super-ricos, proporcionalmente, pagam pouco imposto. Isso agrava a desigualdade social em um dos países mais desiguais do mundo”, apontou.

Vozes plurais: indígenas, evangélicos e trabalhadores

A mobilização teve ampla participação de movimentos sociais e lideranças de diferentes setores da sociedade. Samanta Terena, mulher trans, travesti e indígena, deixou claro o motivo de sua participação:

“Eu estou aqui para dizer que nós não somos capacho de ninguém. O Brasil é indígena, o Brasil é nosso”, afirmou.

Representando a Frente de Evangélicos Pelo Respeito ao Estado de Direito, Cristina Herradon lembrou que o movimento cristão também tem papel político-social: “Denunciamos a exploração das pessoas e reforçamos o valor do amor ao próximo e da justiça social. O reino de Deus é para quem mais precisa”, disse, criticando líderes religiosos que “manipulam o povo por interesse econômico”.

Impasse entre Lula e Congresso por causa do IOF

O ato também refletiu a tensão institucional entre o Governo Federal e o Congresso Nacional, especialmente após a derrubada, pelos parlamentares, do decreto que aumentava o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).

A decisão do Congresso foi interpretada pelo governo como um boicote à política de justiça tributária, voltada a fazer os mais ricos pagarem mais impostos. O presidente Lula (PT), então, decidiu judicializar o caso no STF, acirrando o embate entre os poderes.

Enquanto o Planalto defende a medida como forma de ajuste fiscal progressivo, parte do Congresso acusa o Executivo de promover um “aumento de imposto” sem diálogo suficiente.

A mobilização reforça o crescimento da insatisfação popular com decisões legislativas que, segundo os manifestantes, favorecem minorias privilegiadas e penalizam a maioria trabalhadora. O protesto terminou de forma pacífica por volta das 20h30.

Siga no Instagram @portaldenotíciasms

Compartilhe