Tensão comercial dá trégua e dólar fecha a R$ 5,54 após testar máxima com cenário político no radar


Redação 11/07/2025

Após testar a máxima de R$ 5,60 no início do dia, o dólar à vista perdeu força nesta sexta-feira (11) e encerrou a sessão cotado a R$ 5,5475, registrando uma leve alta de 0,04%. Apesar da desaceleração no final da tarde, a moeda norte-americana acumulou valorização de 2,26% na semana, refletindo o aumento da aversão ao risco nos mercados globais.

Segundo operadores do mercado de câmbio, não houve um único gatilho para a reversão no movimento da moeda, mas sim uma combinação de fatores, entre eles as sinalizações de que o pacote tarifário de 50% anunciado pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros pode ser amenizado — ou até mesmo arquivado. Esse movimento abriu espaço para realização de lucros e correções técnicas após uma sequência de fortes altas.

Sinais de trégua entre Lula e Trump aliviam pressão

O alívio começou ainda na manhã, quando o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que poderia conversar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva “em algum momento”, embora tenha frisado que isso “não será agora”. Na mesma fala, Trump também defendeu Jair Bolsonaro, dizendo que o ex-presidente brasileiro está sendo tratado de forma “muito injusta”.

Embora o presidente Lula tenha reiterado que haverá retaliação caso as tarifas se concretizem, fontes próximas ao Planalto afirmam que a estratégia, por ora, será de contenção e diálogo. O governo brasileiro não deve recorrer à cadeia nacional de rádio e TV para se posicionar formalmente sobre o tema nos próximos dias.

Para Alexandre Viotto, chefe da mesa de câmbio da EQI Investimentos, o movimento de Trump pode ser uma tática de barganha. “Ele costuma adotar medidas agressivas inicialmente para depois recuar e negociar com mais poder de influência”, analisa. Viotto projeta que, caso as tarifas sejam reduzidas, o dólar pode recuar até R$ 5,30. Já se o tarifaço for confirmado, a cotação poderá se aproximar novamente dos R$ 6,00.

Forte valorização global do dólar persiste

No cenário externo, o dólar manteve força. O índice DXY — que mede o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de seis moedas fortes — avançava 0,20%, atingindo 97,800 pontos, após registrar a máxima de 97,964 pontos durante o pregão. A valorização também foi significativa frente a moedas de países emergentes, como o rand sul-africano, que perdeu mais de 1%.

A escalada do dólar no mundo tem sido impulsionada pela postura agressiva de Trump, que nesta semana enviou cartas a mais de 20 parceiros comerciais — entre eles Japão, Coreia do Sul e Canadá — anunciando tarifas que podem chegar a 40% a partir de 1º de agosto.

Na quinta-feira (10), o republicano também confirmou tarifas de 35% sobre produtos canadenses e sugeriu a aplicação de sanções comerciais contra a União Europeia. A Comissão Europeia respondeu afirmando que está disposta a negociar, mas não há encontros previstos para os próximos dias.

De acordo com análise da Armor Capital, essa movimentação tem aumentado a volatilidade nos mercados internacionais, especialmente na Ásia, e explica o desempenho mais fraco do real frente a outras moedas emergentes nesta semana.

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