Alívio no câmbio: dólar recua com sinalização de negociação entre Brasil e EUA

Redação 15/07/2025
Moeda americana cai 0,47% e fecha a R$ 5,55 após fala de Trump e postura moderada do governo Lula diante das tarifas anunciadas
A perspectiva de uma possível distensão nas tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos trouxe alívio ao mercado de câmbio nesta terça-feira (15). O dólar à vista encerrou o dia em baixa de 0,47%, cotado a R$ 5,5581, na contramão do movimento global da moeda americana, que subia no exterior após a divulgação de dados acima do esperado sobre a inflação nos EUA.
O recuo da moeda ocorre após uma sequência de quatro altas consecutivas, que acumularam valorização de 2,54%. No mês de julho, o dólar ainda registra alta de 2,28% frente ao real.
O movimento de queda teve impulso durante a tarde, após o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que Jair Bolsonaro “não é amigo, mas um conhecido” e um “homem muito bom”, numa fala que foi interpretada pelo mercado como um aceno à moderação e abertura para diálogo com o governo Lula.
Sinais de moderação e espaço para negociação
De acordo com Marcos Weigt, head da tesouraria do Travelex Bank, a reação positiva do real está diretamente relacionada à condução diplomática adotada pelo Brasil. “As declarações do vice-presidente Alckmin mostram que o governo não pretende retaliar de imediato, o que acalma os investidores. Além disso, empresas americanas podem fazer lobby contra as tarifas”, afirmou.
Alckmin, que lidera o grupo interministerial responsável pelo diálogo com o setor produtivo, afirmou que o governo quer resolver a questão antes do prazo de 1º de agosto, estabelecido pelos EUA para início da taxação. Segundo ele, o empresariado brasileiro propôs um prazo de 90 dias para negociações.
“O governo quer ouvir o setor produtivo antes de definir qualquer reação”, declarou o vice-presidente.
Para Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora, a sinalização de que o Brasil evitará um confronto direto é positiva. “A fala de Trump ajudou a aliviar o ambiente, e o governo parece disposto a negociar. Isso diminui a pressão sobre o câmbio”, avaliou.
Tensão política interna e riscos
Apesar do alívio momentâneo no câmbio, tensões no cenário político interno seguem no radar dos investidores. A reunião de conciliação entre o governo federal e o Congresso sobre os decretos do IOF, proposta pelo ministro Alexandre de Moraes (STF), foi esvaziada. Com ausência do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e dos presidentes da Câmara e do Senado, não houve acordo, e a decisão ficará a cargo do próprio Moraes.
A Warren Investimentos alerta para o risco de contaminação de outras pautas econômicas. Em relatório, a gestora avalia que o governo Lula “dobrou a aposta na estratégia de confronto político e retórico”, citando a fala do ministro da Casa Civil, Rui Costa, de que “não há plano B” para o decreto.
“O governo segue firme no discurso de ‘pobres vs. ricos’, mesmo com os custos políticos em ascensão”, aponta a análise.
Inflação nos EUA pressiona dólar globalmente
No exterior, o índice DXY – que mede o desempenho do dólar frente a seis moedas fortes – subiu mais de 0,50%, girando em torno de 98,600 pontos no fim da tarde, após dados do CPI (índice de preços ao consumidor) nos EUA virem acima do esperado.
O CPI subiu 0,3% em junho e acumulou alta de 2,7% em 12 meses, superando as projeções do mercado (0,2% no mês e 2,6% no ano). Já o núcleo do índice, que exclui alimentos e energia, avançou 0,2% no mês e 2,9% em 12 meses.


