Polinização animal responde por 13,1% do valor da produção agroextrativista de MS


Redação 18/07/2025

Estudo inédito analisa impacto da ação de polinizadores em 42 anos de produção agrícola no Brasil e destaca desafios ambientais

A polinização feita por animais como abelhas, borboletas, besouros, morcegos e aves contribuiu, em média, com 13,1% do valor da produção agrícola e extrativista de Mato Grosso do Sul em 2024. A informação consta no estudo experimental “Contribuição dos Polinizadores para as Produções Agrícola e Extrativista do Brasil 1981-2023”, divulgado nesta quinta-feira (18) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O levantamento analisou dados de 42 anos e avaliou indicadores como quantidade, área colhida e valor de produção de cultivos com diferentes níveis de dependência da polinização animal. Os dados foram extraídos da Produção Agrícola Municipal (PAM) e da Produção da Extração Vegetal e Silvicultura (PEVS), com enfoque regional, municipal e temporal.

Cultivos temporários predominam, mas muitos não dependem de polinizadores

Segundo o estudo, entre os 35 produtos com produção relevante em MS, 57,1% dependem da ação de polinizadores, ainda que em diferentes graus. O impacto é mais expressivo nas culturas permanentes, que apresentam maior dependência desse processo biológico. Contudo, são as culturas temporárias que dominam a área colhida no estado — como a soja, milho e cana-de-açúcar —, sendo que muitas delas não exigem polinização animal.

A soja, principal cultura temporária do estado e do país, tem dependência modesta dos polinizadores. Ainda assim, devido à sua ampla escala de produção, aparece entre os cinco principais produtos com impacto da polinização em todas as regiões brasileiras. O IBGE destaca que a expansão da soja deslocou cultivos com maior dependência de polinizadores, reduzindo sua participação relativa na composição do valor total de produção.

Como funciona a polinização

A polinização consiste na transferência do pólen entre as partes masculinas e femininas das flores, permitindo a fertilização e a reprodução das plantas, resultando em frutos e sementes. Esse processo pode ocorrer de forma abiótica (por água, vento ou gravidade) ou biótica (por animais).

No Centro-Oeste, os principais cultivos impactados positivamente pela polinização animal foram: soja, algodão, feijão, tomate e melancia. Impactos positivos e riscos ambientais

A pesquisa destaca que a polinização animal:

  • Aumenta a fertilização das flores, melhorando o rendimento das lavouras;
  • Favorece a diversidade genética, tornando as plantas mais resistentes a doenças e mudanças climáticas;
  • Melhora a qualidade e quantidade de frutos e sementes;
  • Reduz perdas agrícolas, ao garantir a reprodução de culturas dependentes;
  • Promove práticas sustentáveis, ao diminuir a necessidade de técnicas artificiais.

Contudo, o IBGE alerta para a redução das populações de polinizadores, ameaçados por fatores como perda de habitat, uso intensivo de pesticidas, doenças, espécies invasoras e mudanças climáticas.

“O aumento da dependência dos cultivos em relação à polinização contrasta com a queda populacional desses agentes. Superar esses desafios exige investimentos em pesquisa e estratégias que garantam a continuidade desse serviço”, afirmou Leonardo Bergamini, analista da Coordenação de Meio Ambiente do IBGE e responsável pelo estudo.

O índice apresentado pelo IBGE foi calculado com base na ponderação entre o valor da produção de cada cultivo e seu grau de dependência da polinização, o que permite estimar a contribuição desse processo ecológico para a economia agrícola.

Futuramente, o IBGE pretende incorporar dados sobre a disponibilidade de polinizadores em função das características da paisagem, para ampliar a compreensão do valor ecológico e econômico desse serviço no Sistema de Contas Econômicas Ambientais.

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