Ibovespa cai com temor fiscal após lançamento do programa “Brasil Soberano”

Redação 13/08/2025
O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuou 0,88%, fechando aos 136.705 pontos, em meio à reação negativa dos investidores ao impacto fiscal da nova medida provisória do governo e à expectativa de pressão sobre juros e câmbio.
Analistas afirmam que o pacote pode aliviar exportadores, mas desperta preocupação com possível aumento no déficit público.
Medidas anunciadas pelo governo
No mesmo dia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou a MP “Brasil Soberano”, que libera R$ 30 bilhões em crédito e adia tributos para setores mais afetados pela economia fraca. O programa exige que empresas beneficiadas mantenham empregos para acessar os recursos.
Além disso, o governo:
- prorrogou por um ano o prazo para exportar mercadorias com insumos do regime de drawback;
- adiou a cobrança de impostos;
- concedeu crédito tributário para exportações, com alíquotas de até 3,1% para grandes e médias empresas e 6% para micro e pequenas.
Cenário econômico doméstico
O IBGE informou que as vendas no varejo caíram 0,1% em junho frente a maio e cresceram 0,3% na comparação anual. Os números ficaram abaixo das projeções de alta de 0,7% e 2,4%, respectivamente, apontando desaceleração no segundo trimestre.
Economistas alertam que o consumo deve perder fôlego ao longo do ano, devido aos juros elevados. A Selic está em 15% ao ano, e o Banco Central já indicou que não pretende reduzi-la no curto prazo.
Fatores externos
Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump afirmou estar avaliando 11 nomes para substituir Jerome Powell no comando do Federal Reserve a partir de 2026, o que movimentou as expectativas sobre a política monetária americana.
No mercado internacional, bolsas de Nova York, Ásia e Europa fecharam em alta, impulsionadas pela inflação americana abaixo do esperado e pela perspectiva de corte de juros pelo Fed em setembro.
No entanto, o avanço externo não foi suficiente para segurar a bolsa brasileira, que encerrou o pregão pressionada pelo câmbio, pelo cenário fiscal e pela frustração com os dados internos.


