Professor da UFMS condenado por estupro é promovido com aumento de 23,5% no salário enquanto segue afastado


Redação 15/08/2025

Mesmo afastado de suas funções há cinco meses, um professor de Biologia da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) condenado por estuprar uma aluna foi promovido nesta semana. A progressão funcional garante aumento de 23,5% na remuneração do docente, que passa do cargo de Adjunto/4 para Associado/1, conforme portaria publicada na segunda-feira (11).

O crime ocorreu em 2016 e veio à tona apenas em março de 2025, quando o professor foi condenado a 8 anos de prisão em regime semiaberto e ao pagamento de R$ 30 mil por danos morais. A decisão ainda é de primeira instância e pode ser contestada, mas, até o afastamento pela universidade, ele continuou lecionando normalmente por nove anos.

Segundo o Portal da Transparência, apenas em junho o professor afastado recebeu R$ 20.167,44, valor composto por salário bruto de R$ 15.998,84, gratificação natalina de R$ 7.999,42 e descontos de R$ 3.830,82 referentes a previdência e imposto de renda.

Avaliação favorável garantiu promoção

A promoção foi autorizada após a Pró-reitoria de Gestão de Pessoas da UFMS aprovar o relatório de desempenho do professor referente a 2024. A progressão depende do cumprimento de metas e carga horária mínima, além da aprovação de um Plano de Atividades pela instituição. A mudança tem efeito imediato, valendo desde agosto de 2025.

Pelas tabelas salariais da UFMS, docentes no cargo de Adjunto/4 recebem entre R$ 3.720,66 e R$ 7.441,32, enquanto os Associados/1 ganham de R$ 4.595,02 a R$ 9.190,03. O aumento é padronizado em 23,5%, independentemente da carga horária.

A universidade ainda não respondeu aos questionamentos do Jornal Portal de Notícias MS sobre o processo de progressão funcional e sobre o andamento do PAD (Processo Administrativo Disciplinar). O espaço segue aberto.

PAD prorrogado e afastamento mantido

A UFMS só afastou o docente após a condenação judicial e instaurou um PAD para investigar sua conduta. O prazo inicial do afastamento, de dois meses, já foi prorrogado duas vezes e termina em setembro, mas pode ser estendido novamente. Nos bastidores, integrantes do Inbio (Instituto de Biociências) e do curso de Biologia informam que não pretendem aceitar o retorno do professor enquanto o processo interno não for concluído.

Protestos contra impunidade

No dia 14 de março, mais de 60 estudantes realizaram um ato em frente ao Inbio pedindo o desligamento definitivo do professor. O movimento “Não se cale! Sem mais casos de assédio” criticou a demora da universidade em abrir investigação e exigiu punições mais rigorosas.

O crime na república estudantil

A vítima, então aluna de 22 anos, relatou ter sido atacada pelo professor durante uma festa universitária, enquanto dormia em um quarto após passar mal por ingestão de álcool. Amigas perceberam o comportamento suspeito do docente, que havia tocado a jovem de forma imprópria durante a confraternização, e correram para socorrê-la. Ao chegarem ao quarto, encontraram a porta trancada; quando ele saiu, a estudante estava chorando, desorientada e sem roupas íntimas.

Hoje com 31 anos, ela afirma sentir alívio com a condenação: “Foi muito sofrido, mas estou aliviada porque existe Justiça. Depois de tantos anos, a Justiça chegou.” Segundo ela, só conseguiu seguir com o processo por causa do apoio de professores e amigos.

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