Mutirão busca garantir reconhecimento de paternidade em MS

Redação 16/08/2025
Cerca de 300 pessoas participam da ação; no Brasil, 460 crianças são registradas por dia sem o nome do pai.
Um mutirão que representa esforço institucional, mas que para muitas famílias significa algo bem maior: preencher um vazio que começa no registro de nascimento e se estende pela vida. Em Campo Grande, antes mesmo de as portas se abrirem às 8h, já havia fila.
Uma das primeiras a chegar foi Jhenifer Epifânio, 28 anos, com a filha de 7 meses no colo. Ela chegou às 5h40.
“Acho importante que ela tenha o nome do pai, tanto pelo apoio emocional quanto pela ajuda financeira. Ele já visitou algumas vezes, mas precisa da prova para assumir de vez”, contou. Até agora, a menina só tem o nome da mãe na certidão.
Histórias como a de Jhenifer se repetem. Ariane Balbino, 31, também buscava dar ao filho o direito ao reconhecimento paterno. O relacionamento terminou quando estava grávida de apenas um mês.
“É importante ter o nome do pai porque ele também tem que assumir a responsabilidade”, resumiu.
Um jovem casal, ele com 24 e ela com 22 anos, preferiu não se identificar, mas aproveitou o mutirão para realizar o exame de DNA — algo que, em clínicas particulares, não sai por menos de R$ 400.
“Aqui temos a chance de comprovar e oficializar sem esse peso financeiro”, afirmou o pai.
Segundo a Defensoria Pública, esta é a quarta edição do mutirão, com cerca de 300 pessoas inscritas em Mato Grosso do Sul. Apenas em Campo Grande, 1.836 pedidos de reconhecimento de paternidade foram registrados entre janeiro e julho de 2025. No Estado, todos os anos, há mais de 14 mil pedidos de pensão alimentícia e 3.250 de reconhecimento de paternidade.
O problema começa no cartório: no Brasil, 460 crianças são registradas diariamente sem o nome do pai. Em Mato Grosso do Sul, foram 15 mil registros sem paternidade nos últimos cinco anos, média de 3 mil por ano — 8 por dia, o equivalente a 1 registro a cada 3 horas.
Durante o mutirão, equipes do Instituto de Análises Laboratoriais Forenses realizam a coleta de sangue para exames de DNA, com resultado previsto em até 10 dias. Quem não conseguiu se cadastrar previamente ainda pode comparecer para registrar a demanda e ser chamado futuramente.


