Dólar fecha a R$ 5,49, maior valor em duas semanas, com tensão política e incerteza jurídica


Redação 19/08/2025

O dólar acelerou os ganhos na tarde desta terça-feira (19) e fechou em alta de 1,22%, cotado a R$ 5,5009, após atingir máxima de R$ 5,5059. É o maior valor de encerramento desde 5 de agosto. O Ibovespa acompanhou o movimento e renovou mínimas no pregão.

Investidores liquidaram ações de grandes bancos e reforçaram posições defensivas no câmbio diante da escalada das tensões entre Brasil e Estados Unidos. O gatilho foi a decisão do ministro do STF Flávio Dino, na segunda-feira (18), reafirmando que leis estrangeiras não têm efeito automático no Brasil sem homologação judicial.

O mercado teme que bancos brasileiros fiquem “entre a cruz e a espada”: se não adotarem restrições com base na Lei Magnitsky, podem sofrer sanções dos EUA; se adotarem, podem violar a legislação nacional. Fontes ouvidas pela Broadcast relataram busca de assessoria jurídica internacional.

O movimento também foi influenciado por rumores sobre pesquisa Genial/Quaest, que pode indicar melhora na avaliação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ser divulgada nesta quarta (20). Outro levantamento, sobre a sucessão presidencial de 2026, sai na quinta (21).

“O real vinha com desempenho forte entre emergentes desde julho e agora devolve parte dos ganhos diante do aumento do risco político e externo”, afirmou Marcos Weigt, head da Tesouraria do Travelex Bank.

Cenário internacional

No exterior, o índice DXY (que mede o dólar contra seis moedas fortes) tinha leve alta, pouco acima de 98,2 pontos, mas ainda acumula queda de 1,7% em agosto e de cerca de 9% no ano.

Com agenda econômica esvaziada, os investidores se posicionam para a ata do Federal Reserve (quarta, 20) e o discurso de Jerome Powell no simpósio de Jackson Hole (sexta, 22).

Pela manhã, o Departamento do Comércio dos EUA informou que as construções iniciadas subiram 5,2% em julho, bem acima da previsão de 0,3%, enquanto as permissões para novas obras recuaram 2,8%.

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