Dólar recua para R$ 5,41 após perder força no exterior; real acumula alta de 12% no ano

Redação 27/08/2025
O dólar perdeu fôlego ao longo da tarde desta quarta-feira (27), acompanhando o movimento da moeda americana no exterior, e fechou em queda moderada, cotado a R$ 5,4170, recuo de 0,32%. Durante o pregão, chegou a superar R$ 5,45 (máxima de R$ 5,4580), mas virou de sinal na parte da tarde, registrando mínima de R$ 5,4151.
Operadores apontam que a alta do petróleo e o ingresso de capital estrangeiro ajudaram a valorizar o real, apesar de um cenário doméstico carregado de indicadores. A moeda brasileira acumula queda de 3,28% em agosto e apreciação de 12,35% no ano.
No exterior, o dólar começou o dia firme diante de divisas fortes e emergentes, em meio à tensão entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o Federal Reserve (Fed), por sua intenção de retirar Lisa Cook da diretoria do banco central americano — tema que pode gerar disputa judicial. O aumento do risco elevou os rendimentos dos Treasuries pela manhã, mas, sem gatilho aparente, o estresse se dissipou à tarde: a taxa do T-bond de 30 anos caiu e o índice DXY, que mede o dólar frente a seis moedas fortes, voltou à estabilidade.
Expectativa de dólar mais fraco no médio prazo
Para o economista André Perfeito, há um suporte técnico na faixa de R$ 5,30, mas ele acredita que esse patamar tende a ser rompido nos próximos meses. “O real deve continuar a se apreciar, porque a tendência global é de um dólar mais fraco, diante da necessidade de ajuste nas contas externas americanas. Além disso, o Fed deve adotar afrouxamento monetário em breve”, avalia.
Segundo ele, o Banco Central brasileiro tem sido cauteloso ao cortar a Selic, mantendo o diferencial de juros favorável ao real.
Atividade econômica dá sinais de moderação
O presidente do BC, Gabriel Galípolo, afirmou que a economia segue resiliente, mas já há sinais de que a política monetária começa a impactar a atividade via crédito. A Selic, disse ele, permanecerá restritiva por um período prolongado para garantir a convergência da inflação à meta.
Dados divulgados nesta quarta reforçam essa percepção: o Caged registrou abertura de 129.775 vagas formais em julho, abaixo da mediana de 135 mil prevista pelo mercado.
Fluxo cambial segue negativo
Apesar da valorização do real, há saída de recursos do país, sugerindo desmonte de posições defensivas no mercado futuro. Até 22 de agosto, o fluxo cambial estava negativo em US$ 1,833 bilhão — dos quais US$ 1,814 bilhão pelo canal financeiro. No acumulado do ano, a saída líquida chega a US$ 16,674 bilhões.
O Itaú Unibanco avalia que o déficit em transações correntes, que atingiu 3,5% do PIB nos 12 meses até julho, é um fator de pressão sobre o câmbio. Para a economista Julia Gottlieb, se não fosse esse desequilíbrio externo, a taxa poderia estar mais próxima de R$ 5,20 a R$ 5,38. A projeção oficial do banco para o dólar no fim de 2025 e 2026, porém, é de R$ 5,40 a R$ 5,50.


