Uso de medicamentos pode comprometer direção e aumentar risco de acidentes, alerta especialistas

 

Redação 27/09/2025

A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem chamado atenção para a epidemia global de transtornos mentais, como ansiedade e depressão. No Brasil, cresce também a prática da automedicação — e especialistas alertam que o uso de determinados medicamentos pode comprometer seriamente a capacidade de dirigir.

O alerta foi reforçado durante o 16º Congresso Brasileiro de Medicina do Tráfego, realizado em Salvador. Segundo o diretor da Abramet (Associação Brasileira de Medicina do Tráfego), Adriano Isabella, uma diretriz publicada pela entidade lista os medicamentos que podem prejudicar cognição, coordenação motora e reflexos ao volante.

“O ato de dirigir é complexo e exige coordenação de sentidos, raciocínio e atenção. O uso de determinados medicamentos aumenta e muito o risco de sinistros indesejáveis no trânsito”, destacou Isabella.

Entre os fatores que influenciam os efeitos estão idade, peso, dose, horário de uso, metabolismo do paciente e, principalmente, o consumo associado ao álcool.

Categorias de medicamentos com impacto na direção:

  • Opioides: aumentam em até 8 vezes o risco de ferimentos graves e em 5 vezes o risco de morte em acidentes.
  • Relaxantes musculares (carisoprodol, ciclobenzaprina): podem causar sonolência, visão turva e raciocínio lento.
  • Ansiolíticos e hipnóticos (benzodiazepínicos, hipnóticos Z): relacionados a risco significativamente maior de acidentes.
  • Antidepressivos tricíclicos e trazodona: comprometem reflexos e cognição, especialmente em idosos.
  • Antialérgicos de primeira geração: afetam fortemente o desempenho ao dirigir; já os de terceira geração são considerados mais seguros.
  • Antipsicóticos e canabinoides com THC: podem causar sedação, lentidão de reação, prejuízo cognitivo e motor.

A Abramet reforça que pacientes devem sempre consultar um médico antes de dirigir sob uso de medicamentos e nunca associar o tratamento ao consumo de álcool.

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