Mulher com câncer aguarda cirurgia há 15 dias na Santa Casa em meio à paralisação de anestesistas

Redação 08/10/2025
Diagnóstico de tumor maligno impede início da quimioterapia; família teme repetição de tragédia recente
Internada desde o dia 23 de setembro, a dona de casa Genesia Delfino Dias, de 52 anos, vive uma corrida contra o tempo na Santa Casa de Campo Grande. Diagnosticada com câncer maligno no seio direito, ela aguarda há mais de duas semanas por uma cirurgia de vesícula, necessária antes de iniciar o tratamento com quimioterapia.
A paciente, no entanto, enfrenta a greve dos anestesistas, que paralisaram parte dos atendimentos por falta de pagamento. Segundo a família, a cirurgia chegou a ter vaga liberada, mas não pôde ser realizada por ausência de profissionais disponíveis.
“A minha sogra está com muita dor, tomando morfina na veia e sem conseguir se alimentar. Está fraca, e o câncer pode se espalhar a qualquer momento. Ela precisa operar com urgência”, relata Roberta de Souza Silva, nora da paciente.
O câncer foi diagnosticado no Hospital do Amor, em Campo Grande, e o procedimento de vesícula é uma etapa obrigatória antes da quimioterapia. Segundo a família, o tumor apresenta alto risco de metástase, o que torna a cirurgia ainda mais urgente.
O drama se repete na família: há um mês, a irmã de Genesia, também com câncer e à espera da mesma cirurgia, morreu antes de ser operada.
“Estamos revivendo o mesmo pesadelo. Perdemos uma pessoa da família porque o câncer se espalhou antes da cirurgia. Não queremos passar por isso de novo”, desabafa Roberta, emocionada.
O que diz a Santa Casa
Em nota, a Santa Casa de Campo Grande afirmou que, mesmo diante da paralisação parcial dos anestesistas, estão sendo mantidas as cirurgias oncológicas de grande porte, considerando a relevância e a urgência desses casos.
A instituição explicou que pacientes com câncer podem ter outras necessidades cirúrgicas, e que as operações mantidas neste momento são apenas as relacionadas diretamente ao tratamento oncológico, como remoção de tumores.
No caso de pacientes internados com classificação de urgência, como o de Genesia, o hospital informou que o procedimento pode ser realizado a qualquer momento, conforme a disponibilidade de sala e equipe médica.
Ainda segundo a nota, a Santa Casa opera com redução de 50% da capacidade devido à paralisação e que as cirurgias eletivas estão suspensas, priorizando os casos urgentes conforme a gravidade clínica.


