Governo Trump revoga vistos de estrangeiros, incluindo um brasileiro, por ironias sobre morte de ativista conservador

Redação 15/10/2025
O governo dos Estados Unidos revogou nesta terça-feira (14) os vistos de seis estrangeiros, entre eles um brasileiro, após publicações consideradas irônicas ou desrespeitosas nas redes sociais sobre o assassinato do ativista conservador Charlie Kirk. O caso ocorreu no mês passado, durante um discurso de Kirk em um campus universitário em Utah.
De acordo com o Departamento de Estado, os estrangeiros são originários da Argentina, Brasil, Alemanha, México, Paraguai e África do Sul, mas os nomes não foram divulgados. A pasta afirmou que as medidas foram tomadas após “análise de postagens que minimizavam ou debochavam da morte de Kirk”.
O anúncio ocorreu no mesmo dia em que o presidente Donald Trump concedeu a Medalha Presidencial da Liberdade a Charlie Kirk, postumamente, durante cerimônia na Casa Branca. No funeral do ativista, realizado em setembro, Trump o descreveu como “herói americano” e “mártir da liberdade”.
Desde o assassinato, o governo norte-americano tem adotado medidas punitivas contra pessoas que ironizaram o episódio, incluindo demissões de jornalistas e professores, o que tem gerado preocupações sobre liberdade de expressão.
“Os estrangeiros que se aproveitam da hospitalidade dos Estados Unidos enquanto comemoram o assassinato de nossos cidadãos serão removidos”, disse o Departamento de Estado em comunicado.
O vice-presidente JD Vance e outros membros do governo também incentivaram denúncias de postagens consideradas ofensivas sobre o caso. O vice-secretário de Estado, Christopher Landau, chegou a pedir publicamente que usuários o marcassem em publicações do tipo, afirmando estar “revoltado” com as reações nas redes sociais.
Ofensiva migratória e política externa
A medida faz parte de uma ampla ofensiva migratória da administração Trump, que vem intensificando a revisão de vistos de estrangeiros suspeitos de incitar protestos ou criticar políticas dos EUA, especialmente em relação às operações militares em Gaza.
Nos últimos meses, Washington revogou vistos de autoridades estrangeiras, como o embaixador da África do Sul, o presidente palestino Mahmoud Abbas e a dupla britânica Bob Vylan. Segundo o Departamento de Estado, há uma revisão em curso dos mais de 55 milhões de vistos ativos.
No Brasil, o governo norte-americano cancelou vistos de 18 autoridades, incluindo oito ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o advogado-geral da União, Jorge Messias.
Grupos de direitos civis criticaram a decisão, afirmando que as ações violam o direito constitucional à liberdade de expressão, garantido a qualquer pessoa dentro do território dos Estados Unidos, independentemente de nacionalidade.


