Falta de recursos leva INSS a suspender programa de redução da fila de benefícios

Redação 15/10/2025
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) suspendeu o programa criado para reduzir a fila de espera de benefícios como aposentadorias e auxílios. A decisão, assinada pelo presidente do órgão, Gilberto Waller Junior, foi motivada pela falta de recursos orçamentários.
Em ofício interno, o presidente do INSS solicitou ao Ministério da Previdência uma suplementação de R$ 89,1 milhões para garantir a continuidade do Programa de Gerenciamento de Benefícios (PGB) — iniciativa que pagava bônus de produtividade a servidores e peritos.
A suspensão tem efeito imediato, interrompendo o principal esforço do governo para reduzir a fila de mais de 2,6 milhões de solicitações, segundo dados de agosto. A fila vem crescendo desde o ano passado, pressionada pela greve de 235 dias dos médicos peritos.
Segundo o ofício, a medida busca evitar “impactos administrativos” caso o programa fosse mantido sem verba garantida. O documento determina que:
- novas análises sejam interrompidas;
- tarefas em andamento retornem às filas ordinárias;
- agendamentos do Serviço Social fora do expediente sejam suspensos ou remarcados.
O INSS informou que trabalha para retomar o programa “o mais breve possível”, após a recomposição do orçamento.
Como funcionava o programa
Criado em abril e transformado em lei em setembro, o PGB pagava R$ 68 por processo concluído a servidores e R$ 75 por perícia médica. O bônus era concedido a quem superasse as metas diárias de trabalho, respeitando o teto do funcionalismo (R$ 46,3 mil).
A iniciativa substituiu o antigo Plano de Enfrentamento à Fila da Previdência, encerrado em 2024, e tinha orçamento previsto de R$ 200 milhões para este ano. Segundo o INSS, os recursos foram totalmente consumidos antes do fim do exercício.
Fila em alta
Com a suspensão, o governo enfrenta risco de novo aumento no tempo de espera. O número de pedidos subiu de 1,5 milhão em 2023 para 2,6 milhões em agosto de 2025, chegando a 2,7 milhões em março deste ano.
O Ministério da Previdência Social havia prometido zerar a fila até o fim do mandato, mas o cenário se agravou com a falta de recursos e lentidão na recomposição orçamentária.
Cenário fiscal
A interrupção do programa reflete as restrições fiscais enfrentadas pelo governo, que tenta cumprir a meta de superávit primário de R$ 34,3 bilhões em 2026. O bloqueio de verbas ocorre após a perda de validade de uma medida provisória que aumentaria tributos sobre bancos e apostas online.
Sem o pagamento dos bônus, especialistas alertam que o ritmo de análise de processos deve cair, afetando aposentados, pensionistas e beneficiários do BPC (Benefício de Prestação Continuada), que dependem do pagamento como principal fonte de renda.
Próximos passos
Em nota, o INSS informou que a suspensão é temporária, e que o órgão está em diálogo com os ministérios da Previdência e do Planejamento para recompor o orçamento ainda neste ano.
Enquanto isso, os servidores seguirão apenas com a rotina regular, sem o adicional por produtividade.


