Crise na Santa Casa: falta de pagamento paralisa médicos e cirurgias eletivas são suspensas em Campo Grande

Redação 17/10/2025
A crise financeira da Santa Casa de Campo Grande chegou a um ponto crítico. Médicos contratados como Pessoa Jurídica (PJ) estão há pelo menos cinco meses sem receber salários e mantêm as atividades paralisadas. A situação se agravou com a adesão dos anestesiologistas ao movimento, o que levou o hospital a suspender todas as cirurgias eletivas.
Desde o início de setembro, a Santa Casa vinha cancelando procedimentos que não fossem de urgência ou emergência. Agora, nem mesmo as cirurgias previamente agendadas estão sendo realizadas, já que a presença de um anestesista é indispensável.
Em coletiva de imprensa realizada na última sexta-feira (10), a presidente do hospital, Alir Terra, havia informado que “quase todas as cirurgias eletivas” estavam suspensas. Nesta semana, porém, a instituição enviou mensagens a pacientes confirmando o cancelamento total dos procedimentos.
“Na última hora, a Santa Casa alegou que os anestesiologistas estavam em greve e não podia mais fazer o procedimento. Teria que aguardar remarcar”, relata Miguel Anatalino Ribeiro, paciente que teve a cirurgia desmarcada um dia antes.
Miguel sofreu um acidente em julho de 2024 e está com um fixador de Ilizarov — conhecido como “gaiola” — na perna. O procedimento para retirada do aparelho estava autorizado pelo plano de saúde e seria realizado nesta quinta-feira (16), mas foi suspenso por mensagem de texto.
Na comunicação enviada aos pacientes, a Santa Casa não menciona a falta de pagamento aos médicos e atribui os cancelamentos a “situação de força maior que impacta os procedimentos cirúrgicos eletivos”. O texto afirma ainda que a paralisação é “indispensável para garantir a segurança e a qualidade do atendimento”.
De acordo com o Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul (SinMed-MS), o hospital conta com mais de 100 anestesistas terceirizados, todos sem receber há meses.



