Correios estudam demitir até 10 mil funcionários em novo PDV para viabilizar reestruturação e crédito de R$ 20 bilhões


Redação 16/11/2025

Os Correios estudam desligar cerca de 10 mil empregados — aproximadamente 8,6% do quadro atual — por meio de um novo Programa de Demissão Voluntária (PDV). O número ainda pode aumentar, conforme avança a análise interna. A iniciativa integra o plano de reestruturação apresentado ao Tribunal de Contas da União (TCU) na quarta-feira (14), considerado essencial para que a estatal obtenha um crédito de R$ 20 bilhões, com garantia do Tesouro Nacional.

O TCU acompanhará a execução das medidas e o papel do governo federal na operação financeira, que poderá envolver bancos públicos.

Medidas previstas no plano

A primeira fase da reestruturação, detalhada em 15 de outubro, divide-se em três frentes:

  • Redução de despesas: além do PDV, a estatal pretende vender imóveis ociosos e renegociar contratos com grandes fornecedores;
  • Ampliação das receitas: a empresa busca reconquistar clientes estratégicos e adotar modelos internacionais que integrem mais serviços à sua estrutura logística, especialmente do setor financeiro;
  • Reforço da liquidez: inclui a contratação do crédito de R$ 20 bilhões por meio de um consórcio de bancos, para garantir caixa em 2025 e 2026.

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O presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, afirmou que o plano marca o início de uma agenda de equilíbrio financeiro, com foco em transparência e governança.

Reação dos trabalhadores

O anúncio provocou mobilização sindical. Durante reunião em 14 de outubro, representantes das categorias cobraram reajuste salarial e proteção aos direitos trabalhistas. José Aparecido Gandara, presidente da Findect, destacou que a empresa não realiza concursos desde 2011, quando o efetivo era de 128 mil funcionários — número que hoje caiu para cerca de 86 mil.

O presidente do Sintect-MS, Wilton Lopes, afirmou que os sindicatos responsabilizaram gestões anteriores pela situação financeira da estatal e defenderam a renovação do acordo coletivo. Segundo ele, a categoria precisa de segurança para participar da recuperação da empresa.

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