Liquidação do Banco Master coloca em risco R$ 1,39 milhão investidos pelo IMPCG


Redação 18/11/2025

A liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada nesta segunda-feira pelo Banco Central, acende um alerta no IMPCG (Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande). A autarquia possui R$ 1.394.952,90 aplicados em Letras Financeiras da instituição — um tipo de título que, em regra, não é coberto pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos), responsável por devoluções automáticas de até R$ 250 mil.

O valor representa 2,77% da carteira de investimentos do Instituto, que soma mais de R$ 50 milhões conforme a última ata consultada, referente a julho deste ano. A maior parte dos recursos está aplicada na Caixa Econômica Federal, com mais de R$ 21 milhões.

Sem a proteção do FGC, o IMPCG passa a integrar a lista de credores do banco liquidado, posição considerada menos favorável na ordem legal de ressarcimento. Como a liquidação foi decretada justamente pela falta de liquidez e pelo comprometimento financeiro do conglomerado Master, há risco concreto de perda parcial — ou até total — do valor investido.

Em nota, o Instituto afirmou que a aplicação diz respeito à compra de Letras Financeiras com vencimento somente em abril de 2029, sem possibilidade de resgate antecipado. Agora, a EFB (Regimes Especiais de Empresas), responsável pela liquidação, deve buscar ativos para pagar os credores. Entretanto, como o passivo tende a ser maior que o patrimônio disponível, a recuperação pode ser limitada.

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Uma das alternativas possíveis para mitigar prejuízos seria a substituição das Letras por precatórios federais — solução já adotada por outros regimes de previdência, como o Rioprevidência, no Rio de Janeiro. Até o momento, o IMPCG não informou se pretende buscar medidas desse tipo.

Processos de liquidação costumam ser longos e podem se arrastar por anos, com devoluções parceladas conforme a venda de ativos. Em abril, o Ministério Público de Contas de São Paulo já havia alertado que diversos institutos de previdência do país poderiam enfrentar perdas milionárias com a situação financeira do Banco Master.

Conglomerado em colapso

Foram decretadas liquidações extrajudiciais para Banco Master S/A, Banco Master de Investimento S/A, Banco Letsbank S/A e Master S/A Corretora. Já o Master Múltiplo S/A foi colocado em RAET (Regime de Administração Temporária), tentativa menos drástica de reorganização. O BC justificou as medidas pela “grave crise de liquidez” e por violações que comprometiam a saúde financeira do conglomerado.

Operação da PF

Paralelamente, o banco e seus gestores foram alvo da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta manhã. O proprietário do Master, Daniel Vorcaro, foi preso no Aeroporto de Guarulhos ao tentar deixar o país. Ao todo, a PF cumpre 25 mandados de busca, cinco de prisão preventiva e dois de prisão temporária, em investigação sobre suposta emissão de títulos de crédito falsos e gestão fraudulenta.

A reportagem questionou o IMPCG sobre quais providências serão tomadas diante do risco de prejuízo e aguarda manifestação.

 

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