Recanto dos Pássaros perde espaço para o lixo e moradores temem apagão ambiental

Redação 22/11/2025
Moradora antiga do Recanto dos Pássaros, a revisora Suziara de Araújo acompanha há quase duas décadas a transformação do bairro — e não para melhor. Para ela, o local ainda tem beleza, mas está cada vez mais difícil preservá-la. “Aqui é maravilhoso, mas as pessoas não cuidam. Jogam muito lixo”, relata. Trechos próximos ao córrego, segundo Suziara, seguem tomados pela sujeira “há anos, sem qualquer limpeza”.
A natureza, que atrai tantos moradores, também foi o motivo que levou Mauro Trindade Saito, 38 anos, a comprar um terreno e começar seu negócio ali. “Sempre gostei porque é fresco, cheio de árvores e tem um córrego com peixinhos”, conta. Mas a tranquilidade convive hoje com o medo de ver o verde desaparecer. “A poluição está ganhando espaço. Se continuar assim, o Recanto dos Pássaros perde os pássaros”, alerta.
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Renan, outro morador que cresceu no bairro, costuma retornar com os filhos para mostrar a eles a infância cercada pela natureza.
Entre quem vive ali há muitos anos e quem chegou recentemente, a percepção é a mesma: o Recanto dos Pássaros ainda resiste, mas perde força. As araras aparecem menos, os quatis já não surgem como antes e o canto das aves que costumava preencher as manhãs hoje ecoa apenas em alguns pontos.
O bairro segue vivo, mas sob pressão. Se o descarte irregular de lixo continuar tomando o espaço da vegetação, o Recanto corre o risco de preservar apenas no nome aquilo que já não se verá mais na paisagem.


