Em visita à Turquia, papa Leão XIV pede papel “estabilizador” do país em meio a cenário global de conflitos

Redação 27/11/2025
Na primeira viagem internacional de seu pontificado, o papa Leão XIV desembarcou nesta quinta-feira (27) na Turquia, onde fez um apelo pela paz e solicitou que o presidente Recep Tayyip Erdogan assuma uma função “estabilizadora” diante do atual contexto mundial, marcado por fortes tensões.
O líder da Igreja Católica chegou a Ancara pouco depois do meio-dia e foi recebido no palácio presidencial com honras militares, incluindo a execução dos hinos nacionais e salvas de canhão. “Senhor presidente, que a Turquia possa ser um fator de estabilidade e aproximação entre os povos, a serviço de uma paz justa e duradoura”, declarou.
Em seu discurso, Leão XIV reforçou a necessidade de líderes comprometidos com o diálogo. Ele lembrou que, após a criação das grandes organizações internacionais no pós-guerra, o mundo voltou a atravessar um período de intensos conflitos, dominado por estratégias de poder econômico e militar — cenário que seu antecessor, o papa Francisco, descreveu como uma “terceira guerra mundial em pedaços”.
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A viagem ocorre em meio às tensões no Oriente Médio e ao grande interesse da imprensa norte-americana, já que Leão XIV é o primeiro papa originário dos EUA. No país, ele participará das celebrações pelos 1.700 anos do Concílio de Niceia, rezará com o patriarca ecumênico Bartolomeu e assinará com ele uma declaração conjunta como gesto de unidade entre católicos e ortodoxos.
Logo ao chegar, o pontífice percorreu uma Ancara fortemente vigiada até o mausoléu de Mustafa Kemal Atatürk (1881–1938), fundador da Turquia moderna e símbolo do Estado laico. Esse caráter laico, porém, tem sido alvo de questionamentos recentes diante da ascensão do nacionalismo religioso e da crescente politização de espaços como a antiga basílica de Santa Sofia, convertida em mesquita em 2020. Apesar das tensões, o Vaticano considera o diálogo com Ancara essencial para a estabilidade regional.
A Santa Sé também reconhece o esforço turco para acolher mais de 2,5 milhões de refugiados, majoritariamente sírios. Nesse contexto, Leão XIV manteve a postura crítica de Francisco ao repudiar o tratamento “extremamente desrespeitoso” dado a migrantes pela administração Donald Trump nos Estados Unidos.
Após passar pela Turquia, o papa segue para o Líbano, onde pretende apoiar cristãos e outras comunidades afetadas pela crise, além de rezar no local da explosão do porto de Beirute, em 2020. Ele discursará em inglês no território turco e usará inglês e francês durante os compromissos no Líbano, abrindo mão do italiano. O Vaticano informou que não houve reforço adicional nas medidas de segurança, embora o clima regional siga tenso após novos ataques.
Em ambas as etapas da viagem, Leão XIV deve tratar de paz no Oriente Médio, diálogo inter-religioso, migração e das demandas das populações locais — incluindo o pedido de justiça pelas vítimas da explosão em Beirute e apoio à juventude libanesa em meio à crise econômica.


