MP pressiona JBS por cortina vegetal imediata e empresa admite: árvores levarão 10 anos para atingir altura ideal

Redação 01/12/2025
A cortina vegetal que o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) exige para reduzir o mau cheiro emitido pela unidade da JBS em Campo Grande pode demorar até dez anos para surtir efeito. Relatório técnico da própria empresa, anexado ao processo, aponta que as mudas plantadas há sete meses cresceram apenas 1,5 metro no período.
O plantio de eucaliptos é hoje o principal impasse da ação civil pública movida pelo MPMS. A promotoria cobra que a empresa utilize árvores já adultas, capazes de conter os odores de forma imediata. A JBS, porém, insiste no uso de mudas, o que exigiria que a população aguarde anos até que a barreira atinja o porte necessário.
A audiência de conciliação realizada no início de novembro terminou sem acordo.
Árvores ainda pequenas e odor persistente
O relatório da JBS afirma que, mesmo durante o período de seca, houve “bom desenvolvimento vegetativo”, com crescimento médio de 1,15 metro desde março, quando as 4,8 mil mudas foram plantadas em uma faixa de 1,7 mil metros no entorno da indústria.
Segundo a empresa, as espécies escolhidas — eucaliptos — apresentam crescimento rápido e boa adaptação. A projeção é que alcancem 29 metros de altura somente daqui a uma década.
✅ Siga no Instagram @portaldenotíciasms
Enquanto isso, moradores de bairros como Nova Campo Grande e Jardim Carioca seguem reclamando do forte odor, que a JBS atribui a características intrínsecas da atividade de produção de farinha para ração animal.
Outras exigências do MPMS
Além da cortina arbórea, o MPMS requer:
- reparo imediato em possíveis falhas no sistema de exaustão;
- projeto para cobrir, vedar e isolar áreas da planta industrial que concentram emissões de mau cheiro;
- análise sobre a viabilidade de permanência da unidade no local.
Se o processo apontar que a operação é incompatível com a área atual, o Ministério Público defende que a JBS seja transferida para o Indubrasil ou outro polo industrial no prazo de até um ano.
Empresa já havia recusado acordo antes da ação
Antes da ação civil pública, o MPMS tentou um ajuste com a empresa, mas a JBS não aceitou. Embora um parecer técnico de 2023 não tenha constatado dano ambiental, as reclamações frequentes da população levaram a uma nova vistoria. O relatório mais recente identificou problemas como extravasamento de efluentes e estruturas sem vedação adequada, gerando mau cheiro constante e risco de acidentes.


