Em MS, 835 pessoas vivem em favelas com acesso apenas a pé, bicicleta ou moto


Redação 14/12/2025

Mato Grosso do Sul possui 31 favelas e comunidades urbanas onde parte da população enfrenta sérias limitações de mobilidade. Dados do Censo 2022 – Favelas e Comunidades Urbanas, divulgados pelo IBGE no dia 5 de dezembro, mostram que ao menos 835 pessoas moram em trechos de vias acessíveis apenas a pé, de bicicleta ou moto, sem passagem para carros, ônibus ou caminhões.

Ao todo, 16.278 moradores vivem em favelas ou comunidades urbanas no Estado. Desses, 5,1% residem em locais com acesso viário extremamente restrito — realidade que também dificulta a chegada de ambulâncias e serviços de emergência. Fora desses territórios, essa condição atinge apenas 0,17% da população.

Entre as áreas mais críticas está a Comunidade Esperança, em Campo Grande, onde 79,35% dos moradores vivem em vias muito estreitas. Na sequência aparecem a comunidade Mandela, também na Capital (77,02%), e a Popular Velha, em Corumbá (31,9%).

Infraestrutura precária

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A pesquisa do IBGE analisou características urbanísticas dos logradouros dentro e fora das favelas, como capacidade de circulação das vias, pavimentação, iluminação pública, arborização, existência de calçadas, pontos de ônibus e acessibilidade. O recorte estadual revela que Mato Grosso do Sul tem a pior disponibilidade de iluminação pública em favelas do país. Além disso, apenas 2,7% dessas áreas contam com ponto de ônibus, e menos de 1% dos moradores têm acesso a rampas de acessibilidade nas calçadas.

Segundo o censo, 90% da população que vive nesses territórios enfrenta dificuldades de locomoção nas calçadas. Em contrapartida, o Estado se destaca positivamente por registrar o segundo maior percentual nacional de moradores de favelas vivendo em áreas arborizadas.

Iluminação e coleta de lixo

De acordo com o chefe do Setor de Pesquisas Territoriais do IBGE, Filipe Borsani, a capacidade de circulação das vias interfere diretamente na coleta de lixo. Para que o serviço seja feito porta a porta, é necessário que as ruas comportem caminhões.

Nas áreas com acesso adequado, 81,9% dos moradores têm coleta domiciliar. Já em vias restritas, o lixo costuma ser destinado a caçambas. O levantamento também aponta que 84,5% dos moradores de favelas em MS vivem em ruas não pavimentadas, o maior percentual entre os estados brasileiros.

Atualmente, sete comunidades urbanas do Estado não possuem qualquer tipo de pavimentação: cinco em Campo Grande (Uirapuru, Cidade dos Anjos, Nova Capital, Refriko e Comunidade Esperança), uma em Dourados (Vitória) e uma em Aquidauana.

Mobilidade e acessibilidade

Dentro das favelas e comunidades urbanas sul-mato-grossenses, apenas 2,7% dos moradores vivem em ruas com ponto de ônibus ou van. Somente 1,4% têm acesso a calçadas sem obstáculos e menos de 1% contam com rampas de acessibilidade. No caso específico de rampas para cadeirantes, o índice chega a 2%, o equivalente a 330 pessoas.

Comparação com áreas fora das favelas

Fora das favelas e comunidades urbanas, o cenário é menos crítico. 79,2% da população vive em ruas pavimentadas e 99,2% têm acesso à iluminação pública. Em relação à acessibilidade, 29,2% dos moradores contam com calçadas adequadas, e 49% vivem em locais com rampas para cadeirantes.

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