Greve do Consórcio Guaicurus entra no terceiro dia e TRT eleva multa para R$ 200 mil

Redação 16/12/2025
Os motoristas do Consórcio Guaicurus decidiram manter a greve do transporte coletivo em Campo Grande, levando a Capital ao terceiro dia consecutivo sem ônibus nesta quarta-feira (17). Mesmo após nova determinação judicial, a paralisação segue e o impasse permanece sem acordo.
Nesta terça-feira (16), o Tribunal Regional do Trabalho de Mato Grosso do Sul (TRT-MS) aumentou para R$ 200 mil a multa aplicada ao sindicato da categoria em razão do descumprimento da decisão que determina a circulação mínima de 70% da frota. O desembargador César Palumbo Fernandes ordenou o encerramento da greve a partir de quarta-feira e elevou o valor da penalidade caso a determinação não seja cumprida.
✅ Siga no Instagram @portaldenotíciasms
Apesar disso, os motoristas decidiram, em reunião realizada em frente ao plenário do tribunal, manter a paralisação. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo Urbano de Campo Grande (STTCU-CG), Demétrio Freitas, afirmou que a categoria só retornará ao trabalho após o cumprimento das condições exigidas. “Enquanto não receber o que está condicionado, não vamos voltar”, declarou.
Em entrevista ao Jornal Midiamax, Demétrio disse que nenhuma proposta apresentada até o momento foi suficiente para suspender a greve. “Infelizmente vai continuar parado. Não é o que a gente quer, a população está sofrendo, mas o trabalhador também precisa receber”, justificou.
Audiência sem acordo
A audiência de conciliação realizada nesta terça-feira foi encerrada sem acordo entre sindicato e consórcio. Esta foi a segunda vez que o TRT-MS aumentou o valor da multa. Com o segundo dia de paralisação, a penalidade havia sido elevada para R$ 100 mil, diante do descumprimento da decisão anterior que exigia a retomada parcial da operação.
Durante a audiência, o desembargador reforçou a determinação de retorno escalonado dos serviços, estabelecendo que 70% da frota opere das 6h às 8h30; 50% entre 8h30 e 17h; 70% das 17h às 20h; e 50% após esse horário. O descumprimento da escala implicará multa diária de R$ 200 mil ao sindicato.
A reação dos motoristas foi de descontentamento, com risos e saída do plenário no início da noite. O advogado da categoria solicitou que também fosse aplicada multa ao Consórcio Guaicurus, de forma isonômica, pelo atraso no pagamento dos salários. O pedido foi aplaudido pelos trabalhadores presentes.
Motivo da greve
A paralisação ocorre em meio a atrasos salariais recorrentes enfrentados pelos motoristas ao longo do segundo semestre de 2025. A decisão de greve foi tomada na segunda semana de dezembro, com início na segunda-feira (15).
Além do salário de novembro em atraso, os trabalhadores demonstram preocupação com o pagamento do vale do dia 20 e do 13º salário, cujo prazo legal também vence nessa data. Nesta terça-feira (16), o diretor-presidente do Consórcio Guaicurus, Themis de Oliveira, afirmou que a empresa não dispõe de recursos suficientes para quitar os compromissos com os funcionários.


