Após tarifa de 50% dos EUA, MS amplia destinos de exportação

Redação 23/12/2025
Um dos principais episódios geopolíticos de 2025 foi o tarifaço imposto pelo então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros. As exportações de itens como carne, café e frutas passaram a ser taxadas em 50% a partir de 6 de agosto. A medida, no entanto, foi parcialmente revista em 20 de novembro, quando o governo norte-americano suspendeu a tarifa adicional de 40% para parte dos produtos, reduzindo o impacto sobre o agronegócio brasileiro.
O tarifaço foi justificado por Trump com críticas ao Judiciário brasileiro, incluindo acusações de perseguição política ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que é réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado. O governo norte-americano também citou decisões do STF contra plataformas digitais dos EUA e chegou a aplicar sanções a ministros da Corte.
✅ Siga no Instagram @portaldenotíciasms
Apesar de os Estados Unidos não serem o maior parceiro comercial do Brasil, o país é destino relevante para produtos como carnes, aço e derivados de laranja. Em Mato Grosso do Sul, o setor produtivo se dividiu quanto aos efeitos da medida, que acabou forçando empresas e produtores a buscarem alternativas.
Pressão política e reação brasileira
O tarifaço foi amplamente defendido por aliados do ex-presidente Bolsonaro, especialmente pelo deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos e chegou a pedir apoio público às sanções. Ele e aliados também atuaram junto ao Congresso norte-americano para tentar aplicar a Lei Magnitsky contra autoridades brasileiras, tendo como um dos principais alvos o ministro Alexandre de Moraes.
Enquanto isso, senadores de Mato Grosso do Sul tentaram reduzir os impactos da crise. Nelsinho Trad (PSD) e Tereza Cristina (PP) integraram uma comitiva de parlamentares que esteve nos Estados Unidos entre o fim de julho e o início de agosto, onde se reuniram com congressistas, empresários e representantes da U.S. Chamber of Commerce. Segundo os senadores, a missão teve como objetivo manter o diálogo e abrir canais de negociação.
Impactos no mercado e adaptação
Com a confirmação do tarifaço em 30 de julho e a entrada em vigor em 6 de agosto, frigoríficos sul-mato-grossenses suspenderam temporariamente a produção destinada aos Estados Unidos, atendendo a pedidos de importadores americanos. A medida levou à reorganização das exportações e à busca por novos mercados.
Mesmo com a redução das vendas aos EUA, Mato Grosso do Sul conseguiu reagir. O Estado registrou crescimento de 3,7% nas exportações totais entre julho e setembro. De janeiro a setembro de 2025, as exportações do agronegócio sul-mato-grossense para os Estados Unidos somaram US$ 373,5 milhões, uma queda de apenas 1,9% em relação ao mesmo período de 2024.
Alguns setores, inclusive, apresentaram crescimento. A tilápia atingiu US$ 7,3 milhões em exportações no acumulado do ano, enquanto a carne bovina manteve alta em receita e volume. Segundo a Acrissul, o setor não teve prejuízos significativos, e Mato Grosso do Sul passou a registrar a melhor cotação do chamado “boi China” no país.
Negociação e suspensão das tarifas
Após meses de tensão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump conversaram por telefone em 6 de outubro e se encontraram pessoalmente em 26 de outubro, durante a Cúpula da ASEAN, na Malásia. Nas conversas, Lula pediu a retirada do tarifaço enquanto os países negociavam.
Em 20 de novembro, o governo dos Estados Unidos anunciou a suspensão da tarifa adicional de 40% para produtos agrícolas brasileiros, incluindo café e carne bovina. A decisão teve efeito retroativo e foi atribuída ao avanço do diálogo entre os dois países.
A medida foi comemorada por parlamentares de Mato Grosso do Sul. Para Nelsinho Trad, a suspensão beneficia produtores e preserva empregos. Já a senadora Tereza Cristina classificou a decisão como um alívio inicial para o agronegócio, destacando produtos como carne, café, banana, açaí e castanha-do-pará entre os beneficiados.


