Combate ao trabalho escravo resgata dois trabalhadores por semana em Mato Grosso do Sul

Redação 29/01/2026
Mato Grosso do Sul encerrou 2025 com o resgate de 95 trabalhadores e trabalhadoras submetidos a condições análogas à escravidão. Os dados foram apresentados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), por meio da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), na última quarta-feira (28).
As ações de fiscalização resultaram em quase R$ 11,5 milhões em indenizações, destinadas tanto às vítimas quanto à sociedade, a título de dano moral coletivo. Além disso, processos movidos pelo Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul (MPT-MS) entre 2024 e 2025 somam mais de R$ 98 milhões em valores requeridos, que ainda aguardam análise da Justiça do Trabalho.
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O número de resgates no Estado foi menor do que o registrado em 2024, quando 222 trabalhadores foram retirados de situações irregulares após 21 acordos firmados em procedimentos de apuração.
Em âmbito nacional, o MTE informou que 2.772 trabalhadores foram resgatados em 1.594 ações fiscais ao longo de 2025, garantindo o pagamento de mais de R$ 9 milhões em verbas rescisórias. Os setores com maior incidência foram obras de alvenaria, administração pública em geral, construção de edifícios, cultivo de café e extração e beneficiamento de pedras e outros materiais de construção.
Os dados apontam ainda uma mudança no perfil do trabalho escravo contemporâneo no Brasil. Em 2025, 68% dos trabalhadores resgatados estavam em áreas urbanas, superando os casos registrados no meio rural, historicamente mais comuns. Segundo o MTE, a prática atinge diversas atividades, como colheitas agrícolas, desmatamento, mineração ilegal, indústria têxtil e trabalho doméstico. Neste último, foram realizadas 122 ações fiscais em todo o país, com o resgate de 34 pessoas.
O ministério reforçou que todo trabalhador resgatado tem direito ao Seguro-Desemprego do Trabalhador Resgatado (SDTR), pago em três parcelas de um salário mínimo, além do encaminhamento à assistência social e a políticas públicas voltadas à reinserção social e profissional.
Em 2025, os estados com maior número de ações fiscais foram São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Goiás. Já em número de trabalhadores resgatados, Mato Grosso liderou o ranking nacional, seguido por Bahia, Minas Gerais, São Paulo e Paraíba. Mato Grosso do Sul aparece na 8ª posição.
Plano Estadual
No Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, celebrado em 28 de janeiro, foi lançado em Campo Grande o primeiro Plano Estadual para a Erradicação do Trabalho Escravo em Mato Grosso do Sul, juntamente com o Fluxo Estadual de Enfrentamento ao Trabalho Escravo. O documento começou a ser elaborado em maio de 2025 pela Comissão Estadual de Erradicação do Trabalho Escravo (Coetrae-MS), com orientação da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e cooperação de diversas instituições.
O plano estabelece diretrizes baseadas em quatro eixos: governança, prevenção, repressão e proteção às vítimas. Para a procuradora-chefe do MPT-MS, Cândice Arosio, a iniciativa representa um marco no fortalecimento das políticas públicas de enfrentamento a essa grave violação de direitos humanos, ao consolidar a atuação integrada entre os órgãos envolvidos.
Com duração prevista de dez anos e revisão intermediária no quinto ano, o plano prevê metas de médio e longo prazo e dá especial atenção ao atendimento pós-resgate, considerando as vulnerabilidades


