Dólar sobe após mínima de R$ 5,15 com aversão a risco no mercado global

Redação 12/02/2026
Depois de tocar R$ 5,15 pela manhã, o menor patamar desde maio de 2024, o dólar inverteu o movimento e passou a subir na segunda etapa do pregão, refletindo um ambiente global de maior aversão ao risco. O dia foi marcado por queda nas bolsas de Wall Street e no Ibovespa, fortalecimento da moeda americana frente a pares fortes e emergentes, além de alta nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos (Treasuries). As commodities também perderam força, com destaque para o petróleo, que recuou quase 3%.
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No mercado à vista, o dólar encerrou o dia em alta de 0,25%, cotado a R$ 5,2004, movimento considerado uma correção natural por operadores. Apesar disso, a moeda ainda acumula queda de 0,38% na semana, 0,90% no mês e 5,26% no ano frente ao real. Já o contrato futuro para março avançava 0,62%, a R$ 5,230, em linha com o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes.
A mudança de humor nos mercados ocorreu em meio à expectativa pela divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos, prevista para sexta-feira, dado que pode influenciar as projeções sobre a trajetória dos juros do Federal Reserve (Fed). Ao longo da tarde, os índices americanos aprofundaram as perdas, o que também pressionou o mercado de commodities metálicas e energéticas.
Para o chefe da Tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weigt, o movimento foi típico de um cenário de aversão ao risco. “Está tudo no mesmo sentido: bolsas para baixo, dólar para cima e Treasuries em alta. Vejo como uma realização natural”, afirma. Segundo ele, parte da pressão veio das preocupações com as chamadas “Mag 7”, grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos, que vêm ampliando investimentos em inteligência artificial, elevando custos e gerando dúvidas sobre a sustentabilidade dos altos retornos.
Na avaliação do especialista em investimentos da Nomad, Bruno Shahini, embora o cenário estrutural ainda favoreça o real por conta do carry trade e do fluxo de capital, o movimento global de busca por segurança limitou uma queda maior do dólar no fim do dia.
Já a consultoria Capital Economics destacou, em relatório, que o valuation das moedas da América Latina parece esticado. A instituição avalia que os mercados emergentes podem apresentar desempenho mais fraco a partir deste ano, com o Federal Reserve cortando menos os juros do que o esperado, o que tende a fortalecer o dólar e pressionar moedas de países exportadores de commodities.


