Dólar cai quase 1%, fecha a R$ 5,17 e atinge menor valor desde maio de 2024


Redação 20/02/2026

O dólar acentuou o ritmo de queda no mercado local ao longo da tarde desta sexta-feira (20), acompanhando a desvalorização global da moeda americana, e voltou a fechar no menor nível desde maio de 2024. O principal gatilho foi a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, que considerou ilegais as chamadas tarifas recíprocas anunciadas por Donald Trump em abril do ano passado, no episódio conhecido como “Liberation Day”.

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Apesar de ainda ser cedo para avaliar os impactos concretos da derrubada do tarifaço para a economia global, o movimento impulsionou os ativos de risco, com alta das bolsas em Nova York e forte demanda por moedas de países emergentes.

Mesmo após Trump anunciar uma tarifa global de 10%, com base na legislação comercial americana, os investidores reagiram com tranquilidade, avaliando que a decisão da Suprema Corte reduz o poder discricionário do presidente dos EUA.

O dólar à vista chegou à mínima de R$ 5,1736 e encerrou o dia em queda de 0,98%, cotado a R$ 5,1759 — abaixo de R$ 5,20 pela primeira vez após quatro sessões consecutivas e no menor patamar de fechamento desde 28 de maio de 2024 (R$ 5,1540).

Na semana, encurtada pelo Carnaval, a moeda acumula perda de 1,03%. Em fevereiro, o recuo é de 1,37%, enquanto no acumulado do ano a desvalorização chega a 5,70%.

Brasil entre os mais beneficiados

Segundo o economista sênior do Inter, André Valério, o Brasil está entre os países mais beneficiados pela decisão da Suprema Corte americana, ao lado de China e Canadá, já que boa parte das exportações brasileiras aos EUA ainda estava sujeita a tarifas de até 50%.

“O impacto nos mercados não deve ser muito pronunciado, pois já havia ampla expectativa dessa decisão. Na margem, é um fator positivo, que adiciona combustível ao movimento global de reposicionamento de portfólios, beneficiando o real”, afirma.

A moeda brasileira teve um dos melhores desempenhos entre divisas emergentes e de países exportadores de commodities, com valorização semelhante à do peso mexicano e ligeiramente abaixo da do rand sul-africano. Na semana, o real ficou atrás apenas do peso argentino.

Cenário internacional

O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, recuou para abaixo dos 98 pontos, com mínima de 97,589. Ainda assim, o indicador termina a semana com alta próxima de 1%, impulsionado por tensões geopolíticas e pelo tom mais conservador da ata do Federal Reserve (Fed), que indica menos espaço para cortes de juros.

Para o head de banking da EQI Investimentos, Alexandre Viotto, o dólar poderia ter caído ainda mais globalmente não fosse a apreensão em torno da possibilidade de um ataque iminente dos Estados Unidos ao Irã, diante do impasse sobre o programa nuclear iraniano.

“Sem esse risco, poderíamos ter visto o dólar próximo de R$ 5,16 hoje. A decisão da Suprema Corte deixa as regras do jogo mais claras e reduz a margem de manobra de Trump”, avalia.

Indicadores econômicos

Nos Estados Unidos, o PIB cresceu a uma taxa anualizada de 1,4% no quarto trimestre, abaixo do ritmo observado no trimestre anterior (4,4%). Já o índice de preços de gastos com consumo (PCE), principal medida de inflação acompanhada pelo Fed, subiu 0,4% em dezembro, acima das expectativas, e acumulou alta anual de 2,9%.

Dados do CME Group indicam leve redução nas apostas de corte de juros já em junho, embora a probabilidade ainda permaneça acima de 50%.

Projeção para o câmbio

Para o diretor de Pesquisa Econômica do Banco Pine, Cristiano Oliveira, a decisão da Suprema Corte tende a provocar nova rodada de enfraquecimento do dólar, com o real se fortalecendo.

“O câmbio pode se aproximar de R$ 5,00 ainda neste semestre, especialmente porque a derrubada das tarifas piora a situação fiscal americana”, afirma.

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