Dólar cai pelo quarto dia seguido e se aproxima de R$ 5,14 com forte entrada de capital estrangeiro


Redação 24/02/2026

O dólar comercial voltou a recuar nesta terça-feira (24) e completou o quarto pregão consecutivo de queda, encerrando o dia cotado a R$ 5,1554, baixa de 0,26%. Durante a sessão, a moeda chegou a tocar a mínima de R$ 5,1429, nível que não era visto desde maio de 2024. No acumulado de 2026, a desvalorização já chega a 6,08%.

✅ Siga no Instagram @portaldenoticiasms

O movimento refletiu uma nova onda de valorização das moedas emergentes e o aumento do apetite ao risco no mercado internacional, impulsionado principalmente pela forte entrada de capital estrangeiro no Brasil. No mesmo dia, o Ibovespa avançou mais de 1% e superou, pela primeira vez, a marca dos 191 mil pontos.

Pela manhã, o dólar chegou a abrir em alta, atingindo R$ 5,1845, em meio a ajustes técnicos e valorização da moeda americana frente ao euro e ao iene. No entanto, o cenário mudou ao longo da tarde, com melhora do humor externo e maior procura por ativos de países emergentes.

Segundo o economista-chefe da corretora Monte Bravo, Luciano Costa, a valorização do real está ligada à continuidade do fluxo global de recursos para mercados emergentes, favorecida pela rotação de carteiras internacionais. Dados divulgados pelo Banco Central mostram que, em janeiro, houve entrada líquida de US$ 8,867 bilhões em investimentos de portfólio no país, o maior volume mensal desde julho de 2018.

“O diferencial entre os juros internos e externos segue elevado, o que estimula o chamado carry trade. Além disso, cresce a expectativa de retomada do ciclo de corte de juros nos Estados Unidos ainda neste ano”, explica Costa.

No cenário internacional, a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que derrubou o tarifaço proposto pelo presidente Donald Trump ajudou a reduzir temores inflacionários e favoreceu a queda nos rendimentos dos títulos do Tesouro americano. Mesmo com o anúncio de uma tarifa global temporária de 10% sobre importações, os investidores mantiveram postura otimista.

Especialistas alertam, porém, que o movimento de valorização do real pode ser temporário. Para o economista Andres Abadia, da Pantheon Macroeconomics, o rali recente é mais cíclico do que estrutural e pode ser revertido caso haja piora no cenário fiscal doméstico ou nova pressão sobre os juros americanos.

“Enquanto o dólar permanecer enfraquecido e o capital global continuar migrando para mercados emergentes com juros elevados, o real tende a seguir firme”, avaliou.

Com o desempenho desta terça-feira, o dólar acumula queda de 1,76% em fevereiro, após já ter recuado 4,40% em janeiro, consolidando um início de ano favorável para a moeda brasileira.

Compartilhe