Chuvas favorecem milho segunda safra em MS, mas soja ainda enfrenta atraso e desafios climáticos


Redação 02/03/2026

As condições climáticas registradas entre 1º e 24 de fevereiro foram, em geral, favoráveis ao desenvolvimento das lavouras de primeira e segunda safra em grande parte do país. É o que aponta o Boletim de Monitoramento Agrícola de fevereiro, divulgado nesta segunda-feira (2) pela (Conab), que destaca o predomínio de chuvas na região Norte e na faixa que vai do Amazonas ao Centro-Oeste e Sudeste.

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Em Mato Grosso do Sul, o principal destaque foi a retomada das precipitações, fator decisivo para o avanço do plantio do milho segunda safra. Após um período de irregularidade climática, as chuvas permitiram a intensificação da semeadura, garantindo bom estabelecimento inicial das áreas já implantadas, que apresentam desenvolvimento considerado satisfatório.

A distribuição das chuvas ao longo do mês influenciou diretamente o ritmo dos trabalhos no campo. Enquanto em Mato Grosso o plantio avançou de forma acelerada, acompanhando a colheita da soja, em Mato Grosso do Sul o progresso ocorreu de maneira mais significativa após a regularização das precipitações.

No entanto, em partes do sudoeste sul-mato-grossense, onde foram registradas temperaturas mais elevadas e menores volumes de chuva, houve restrição hídrica pontual. Segundo o boletim, essa condição foi amenizada com o retorno das precipitações no final do período analisado.

Já a soja apresenta um cenário mais desafiador no Estado. A colheita segue atrasada em relação às últimas safras, reflexo do atraso no plantio no início do ciclo. Além disso, as chuvas irregulares impactaram o potencial produtivo em algumas áreas.

O monitoramento espectral da Conab, por meio do Índice de Vegetação (IV), indica que, de modo geral, as condições de desenvolvimento das lavouras são favoráveis. Em Mato Grosso do Sul, especialmente no sudoeste, o índice apresentou desempenho acima da média histórica em fases críticas da cultura. Contudo, nos períodos mais recentes, houve queda mais acentuada, possivelmente associada à irregularidade das chuvas e às altas temperaturas de fevereiro, fatores que podem ter acelerado a maturação e prejudicado o enchimento dos grãos.

O boletim também aponta avanços no cultivo do algodão, que se aproxima da fase de florescimento em diversas regiões do país, com intensificação do monitoramento fitossanitário, especialmente para o controle do bicudo-do-algodoeiro.

No panorama nacional, as chuvas mais expressivas concentraram-se na região Norte e na faixa central do país, enquanto o Sul, especialmente o Rio Grande do Sul, registrou volumes menores, prejudicando o desenvolvimento da soja em floração e enchimento de grãos. Já no Matopiba e no Semiárido nordestino, mesmo precipitações mais modestas contribuíram para a semeadura e o desenvolvimento das lavouras.

Para Mato Grosso do Sul, o balanço indica recuperação das condições hídricas, com reflexos positivos no milho segunda safra. Ainda assim, o atraso da soja e os efeitos localizados da irregularidade climática exigem atenção dos produtores ao longo do ciclo.

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