MS amplia áreas de cana, eucalipto e laranja e reforça diversificação no agronegócio


Redação 03/03/2026

Mato Grosso do Sul registra avanço das culturas de cana-de-açúcar, eucalipto e laranja, com expansão de áreas plantadas, novos projetos industriais e metas de ampliação de pomares. O movimento, segundo dados do Sistema de informação Geográfica do Agronegócio (Siga-MS), da Secretaria de Meio Ambiente, desenvolvimento, ciência, tecnologia e inovação (Semadesc) e análises do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso do Sul (Senar/MS), indica diversificação produtiva sem substituição das cadeias tradicionais de soja e pecuária.

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Cana cresce e fortalece setor energético

De acordo com o Siga-MS, a área de cana-de-açúcar aumentou 7,3% na safra 2024/2025, passando de 916.266 hectares para 983.273 hectares. A cultura está ligada à produção de etanol, açúcar, bioenergia e biometano — este último gerado a partir da vinhaça.

O Estado conta com duas unidades de biometano, localizadas em Ivinhema e Nova Alvorada do Sul, sendo que a planta deste último município recebeu investimento estimado em R$ 350 milhões.

Eucalipto lidera expansão e impulsiona indústria

A base florestal apresentou o maior crescimento proporcional: o eucalipto avançou 20,3%, passando de 1,6 milhão para 1,9 milhão de hectares. A projeção é atingir 2,5 milhões de hectares até 2028, o que representaria aumento de 40% na área plantada.

No setor de celulose, o Estado concentra operações relevantes. A Suzano possui duas linhas de produção em Três Lagoas  outra unidade em Ribas do Rio Pardo. A Eldorado Brasil mantém fábrica em Três Lagoas. Já a Arauco iniciou obras em Inocência, enquanto a Bracell projeta instalação em Bataguassu.

Citricultura projeta expansão até 2030

Segundo a Semadesc, Mato Grosso do Sul já implantou mais de 7 milhões de mudas de laranja e pretende alcançar 50 mil hectares de pomares até 2030. A estimativa é de R$ 2,4 bilhões em investimentos, com cerca de 35 mil hectares de projetos prospectados.

Novas empresas e áreas de produção estão sendo estruturadas em municípios como Campo Grande, Sidrolândia, Paranaíba, Cassilândia, Aparecida do Taboado, Brasilândia, Naviraí e Dois Irmãos de Buriti. Cassilândia é apontada como possível polo da citricultura no Estado.

Mudança no perfil produtivo

O presidente do Sindicato Rural de Cassilândia, Cilas Alberto de Souza, afirma que a região tem registrado aumento de áreas destinadas a culturas como eucalipto, cana e laranja, além da pecuária tradicional. Segundo ele, produtores têm optado pelo arrendamento diante das novas oportunidades.

Há expectativa também de ampliação da seringueira e manutenção de culturas como soja e amendoim, o que pode impactar positivamente renda, emprego e comércio local.

Impacto econômico

A analista técnica do Senar/MS, Lenise Castilho Monteiro, avalia que a expansão ocorre de forma gradual, com coexistência entre cadeias produtivas. O Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária estadual foi estimado em R$ 76,2 bilhões em dezembro de 2025, crescimento de 21,38% em relação ao ano anterior. A agricultura representa 64,43% do total.

Segundo a análise, o avanço do eucalipto, da cana e da soja reforça a agroindustrialização e a agregação de valor no campo, consolidando Mato Grosso do Sul como polo estratégico do agronegócio nacional.

 

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