Alta do diesel e falta do combustível ameaçam colheita de soja em Mato Grosso do Sul


Redação 11/03/2026

Após a escalada do conflito envolvendo os Estados Unidos e o Irã, o preço do óleo diesel disparou em Mato Grosso do Sul e já começa a afetar diretamente o setor agrícola. Produtores rurais relatam aumento superior a R$ 2 no litro do combustível e dificuldade para encontrar o produto, situação que ameaça a colheita da soja e o plantio do milho safrinha.

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Segundo o empresário Iris José Carloto, proprietário da transportadora e distribuidora Santa Izabel, com sede em Campo Grande, até o final de fevereiro o diesel era vendido pelas grandes distribuidoras por cerca de R$ 5,20. Atualmente o preço chega a R$ 7,50 para distribuidores, mas mesmo assim o produto está difícil de encontrar.

Para o produtor rural, o valor ainda recebe acréscimo de 25 a 30 centavos referentes ao custo de entrega, chegando a aproximadamente R$ 7,70 por litro nas fazendas.

A empresa de Carloto costuma distribuir cerca de 200 mil litros de diesel por dia para propriedades rurais e transportadoras no Estado durante o período de colheita da soja e plantio do milho safrinha. Porém, nesta quarta-feira (11), o estoque estava praticamente zerado.

“Hoje devo ter uns 60 mil litros de diesel na empresa, mas há muitos produtores cobrando entrega e a gente simplesmente não consegue atender”, relatou o empresário.

Colheita pode ser afetada

De acordo com boletim da Aprosoja, divulgado na segunda-feira (9), a colheita da soja em Mato Grosso do Sul atingiu 63% dos 4,8 milhões de hectares plantados. Na região norte do Estado, entretanto, o índice ainda está em torno de 40%.

O representante comercial Osório Marion, que trabalha há mais de 30 anos no setor de venda de diesel na região de São Gabriel do Oeste, afirma que nunca presenciou uma crise de abastecimento semelhante.

Segundo ele, a falta de combustível ainda não paralisou as máquinas porque as chuvas têm reduzido o ritmo de trabalho no campo. No entanto, quando o tempo firmar, existe o risco de colheitadeiras e tratores ficarem parados por falta de diesel.

Prioridade para postos nas cidades

Apesar da escassez no campo, Marion explica que postos de combustíveis nas cidades continuam abastecidos, pois as distribuidoras estão priorizando esses estabelecimentos. Com isso, parte dos produtores passou a buscar diesel diretamente nos postos urbanos e transportá-lo até as fazendas em tambores, prática que havia sido praticamente abandonada.

A transportadora Santa Izabel opera com 20 caminhões de entrega em propriedades rurais e cerca de 150 carretas de distribuição em todo o Estado. Cada bi-trem transporta até 64 mil litros de combustível, mas nos últimos dias esses veículos têm transportado principalmente gasolina e etanol.

Responsável por cerca de 7% do diesel consumido em Mato Grosso do Sul, a empresa presta serviços inclusive para a Vibra Energia, antiga distribuidora da Petrobras.

Problema começa nos centros de distribuição

De acordo com Carloto, a escassez de combustível já ocorre desde os principais polos nacionais de distribuição, como Paulínia, em São Paulo, e Araucária, no Paraná.

Há também suspeitas de que parte das grandes distribuidoras esteja segurando estoques diante da instabilidade do mercado internacional. “É apenas um palpite, mas o problema parece estar sendo subestimado”, afirmou Marion.

Importação encareceu combustível

Outra distribuidora que enfrenta dificuldades é a Cenze. O empresário Wellington Luiz Camargos afirmou que as entregas estão sendo feitas “a conta-gotas”.

Segundo ele, cerca de 30% do diesel consumido no Brasil é importado, principalmente do Golfo do México. Com a guerra e o aumento dos custos, o produto importado ficou mais caro e muitos distribuidores estão evitando comprá-lo.

Enquanto isso, a Petrobras mantém preços mais baixos no mercado interno, o que faz com que a demanda pela estatal seja maior do que sua capacidade de fornecimento.

Caso os preços não sejam reajustados, Camargos alerta que o diesel importado poderá ser direcionado a outros países, o que poderia provocar desabastecimento prolongado no Brasil.

Preço da soja reage

Apesar da preocupação com o combustível, o mercado da soja mostra leve reação. Dados da Aprosoja indicam que, desde o início do mês, a saca no Estado subiu de R$ 110 para R$ 112, influenciada pela valorização do dólar diante da instabilidade provocada pelo conflito no Oriente Médio.

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