Banco Central reduz Selic após quase dois anos e sinaliza cautela com cenário externo


Redação 18/03/2026

Mesmo diante das incertezas provocadas pela guerra no Oriente Médio, o Banco Central do Brasil decidiu iniciar um novo ciclo de queda nos juros. Nesta quarta-feira (18), o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, fixando-a em 14,75% ao ano.

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A decisão, unânime, já era esperada pelo mercado financeiro e marca o primeiro corte após quase dois anos. Desde junho do ano passado, a taxa básica permanecia em 15% ao ano.

No comunicado, o Copom destacou que o cenário internacional, especialmente o conflito no Oriente Médio, aumenta as incertezas e exige cautela na condução da política monetária. O comitê não descarta ajustes no ritmo de cortes, dependendo da evolução do cenário econômico.

Inflação segue no radar

A taxa Selic é o principal instrumento para controlar a inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em fevereiro, o índice registrou alta de 0,7%, acumulando 3,81% em 12 meses — abaixo de 4% pela primeira vez desde maio de 2024.

Pelo novo regime de meta contínua, a inflação alvo é de 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%, definida pelo Conselho Monetário Nacional.

Apesar da melhora nos indicadores, projeções do mercado apontam inflação de 4,1% em 2026, segundo o boletim Focus, ainda dentro do limite da meta, mas acima das estimativas anteriores.

Impactos na economia

A redução da Selic tende a estimular a atividade econômica, ao tornar o crédito mais barato e incentivar o consumo e os investimentos. Por outro lado, juros mais baixos podem dificultar o controle da inflação.

O próprio Banco Central projeta crescimento de 1,6% para a economia em 2026, enquanto o mercado estima uma expansão um pouco maior, de 1,83% do Produto Interno Bruto (PIB).

A taxa básica também serve de referência para outras taxas de juros no país e influencia diretamente operações no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), além de impactar decisões de consumo, investimento e poupança.

Com o início da redução, o Banco Central sinaliza confiança moderada no controle dos preços, mas mantém atenção redobrada ao cenário externo e aos riscos inflacionários.

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