EUA e Irã encerram negociações sem acordo após 21 horas; tensão aumenta no Estreito de Ormuz

Redação 12/04/2026
As delegações do Irã e dos Estados Unidos (EUA), reunidas em Islamabad, capital do Paquistão, encerraram 21 horas de negociações sem alcançar um acordo de paz. Ao deixar o encontro, o vice-presidente norte-americano, JD Vance, afirmou que os iranianos optaram por não aceitar os termos propostos por Washington.
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Segundo Vance, o principal objetivo dos EUA era obter um compromisso claro de que o Irã não desenvolverá armas nucleares nem buscará meios para acelerar esse processo. “Esse é o objetivo central do presidente dos EUA e foi o que tentamos alcançar nas negociações”, declarou antes de retornar a Washington.
Por outro lado, o Irã defende o direito de manter seu programa nuclear para fins pacíficos e acusa os Estados Unidos de utilizarem o tema como pretexto para promover uma mudança de regime no país. Teerã nega reiteradamente qualquer intenção de produzir armamento nuclear.
O chefe da delegação iraniana e presidente do Parlamento, Mohammad-Bagher Ghalibaf, afirmou que houve disposição para o diálogo, mas destacou a falta de confiança no lado americano, citando conflitos anteriores envolvendo os EUA e Israel. Segundo ele, propostas consideradas promissoras foram apresentadas, porém não houve avanço suficiente para consolidar um entendimento.
Em meio ao impasse, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou medidas mais duras. Entre elas, a determinação para que a Marinha norte-americana intercepte embarcações que tenham pago taxas ao Irã para atravessar o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do comércio mundial de petróleo.
A região, responsável por cerca de 20% do fluxo global de petróleo, permanece sob tensão após o Irã restringir a passagem em resposta a ataques atribuídos aos EUA e a Israel no final de fevereiro. Trump também declarou que pretende eliminar minas instaladas na área.
O líder supremo iraniano, aiatolá Seyyed Mojtaba Khamenei, sinalizou que novas regras devem ser implementadas para o tráfego no estreito, indicando que a situação dificilmente retornará ao cenário anterior ao conflito.
Durante as negociações, foram discutidos temas como o programa nuclear iraniano, sanções econômicas, indenizações de guerra, segurança regional e a situação do Estreito de Ormuz. De acordo com o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, a complexidade já indicava que um acordo em menos de 24 horas seria improvável.
As divergências, especialmente sobre o controle do estreito e questões regionais, continuam sendo os principais entraves para um possível entendimento futuro.



