Dólar cai com alívio externo, mas fecha acima de R$ 5 em meio a incertezas políticas

Redação 20/05/2026
O dólar apresentou queda firme nesta quarta-feira (20), acompanhando o movimento global de maior apetite ao risco, mas encerrou o pregão ainda acima da marca de R$ 5,00. A moeda norte-americana fechou cotada a R$ 5,0034, com recuo de 0,74%, acumulando perdas de 1,27% na semana.
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Durante o dia, o dólar chegou à máxima de R$ 5,0576 pela manhã e bateu mínima de R$ 4,9999 na última hora de negociações.
O movimento foi impulsionado por sinais de alívio no cenário internacional. Notícias indicando aumento no fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz e declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugerindo avanço nas negociações com o Irã, reduziram as tensões geopolíticas e derrubaram os preços do petróleo.
Com a diminuição das preocupações inflacionárias, os rendimentos dos títulos do Tesouro americano recuaram, abrindo espaço para valorização de moedas emergentes, como o real.
Segundo o gestor de portfólio Marcelo Bacelar, da Azimut Brasil Wealth Management, o mercado reagiu positivamente ao cenário externo.
“Há um movimento claro de apetite ao risco, com melhora na percepção internacional e alívio nas curvas de juros dos Estados Unidos”, afirmou.
Trump declarou, durante conversa com jornalistas, que os EUA estariam nos “estágios finais” de negociação com o Irã, embora tenha reiterado a possibilidade de retomar ataques caso o país não coopere.
As falas provocaram forte queda do petróleo. O contrato do Brent para julho, referência para a Petrobras, recuou 5,62%, encerrando o dia cotado a US$ 105,02 por barril.
No mercado doméstico, analistas apontam que o dólar ainda encontra sustentação diante do aumento da volatilidade política.
Bacelar destaca que a recente volta da moeda à faixa de R$ 5 reflete tanto o estresse nas curvas globais de juros quanto o aumento do risco político local, especialmente após desgastes envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Para ele, o cenário atual é menos favorável para uma nova rodada de valorização do real.
“Meu viés é neutro. O fluxo externo ajuda, mas o ambiente político e a migração de capital para ações de tecnologia nos EUA reduzem o suporte adicional à moeda brasileira”, avaliou.
Dados divulgados pelo Banco Central mostram que o fluxo cambial total da semana passada foi positivo em US$ 3,027 bilhões, impulsionado principalmente pela entrada líquida de US$ 3,334 bilhões via canal financeiro.
Mesmo assim, o economista Sérgio Goldenstein, da Eytse Estratégia, observa que o real sofreu forte desvalorização no período.
Segundo ele, ao lado do florim húngaro, a moeda brasileira teve o pior desempenho entre divisas emergentes na semana passada, pressionada principalmente pelo aumento do risco político doméstico.

