Especialista alerta para risco raro, mas real, de morte súbita em adolescentes por problemas cardíacos


Redação 25/05/2026

Após a repercussão do caso do adolescente de 14 anos encontrado morto com suspeita inicial de infarto, a reportagem ouviu o cardiologista Guilherme Bertão, membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Cardiologia, para explicar quais condições podem levar jovens a sofrer morte súbita.

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Segundo o especialista, em pessoas com menos de 40 anos, as causas mais frequentes estão relacionadas às chamadas arritmias malignas, geralmente provocadas por cardiopatias genéticas.

Essas alterações fazem o coração acelerar de forma repentina e desorganizada, comprometendo sua capacidade de bombear sangue e podendo provocar parada cardiorrespiratória.

“O mais comum entre a população jovem são as arritmias malignas secundárias a cardiopatias genéticas. Diferente dos pacientes mais velhos, em que o infarto costuma estar ligado ao acúmulo de placas de gordura nas artérias, em adolescentes isso é extremamente raro”, explicou o médico.

Além da predisposição genética, fatores como histórico familiar, esforço físico intenso, emoções muito fortes e uso de determinados medicamentos ou drogas podem funcionar como gatilhos.

Sintomas de alerta

Os principais sinais que podem indicar uma arritmia grave incluem:

  • palpitações intensas;
  • tonturas fortes;
  • desmaios;
  • dor no peito;
  • falta de ar.

De acordo com o cardiologista, quando esses sintomas aparecem juntos, é fundamental procurar atendimento médico imediato.

Para casos menos graves, especialmente quando há histórico familiar, avaliações preventivas podem identificar alterações precocemente. Entre os exames mais solicitados estão:

  • eletrocardiograma;
  • Holter 24 horas;
  • teste ergométrico;
  • ecocardiograma.

O especialista reforça que, quando diagnosticadas cedo e tratadas corretamente, mesmo cardiopatias graves podem permitir vida normal.

Ansiedade pode confundir diagnóstico

Guilherme Bertão também alertou para o risco de sintomas cardíacos serem confundidos com crises de ansiedade, principalmente entre adolescentes.

Segundo ele, manifestações como dor no peito, palpitações e falta de ar podem ocorrer em ambos os quadros, o que exige investigação cuidadosa.

“O paciente pode ter ansiedade e, ao mesmo tempo, um problema cardíaco. Por isso, nunca se deve minimizar esses sintomas”, destacou.

O alerta ganhou repercussão após o caso do adolescente Davy, de 13 anos, morador de Timóteo, que inicialmente teve os sintomas interpretados como ansiedade, mas exames posteriores confirmaram uma arritmia cardíaca grave. Após atendimento especializado, ele sobreviveu e o caso serviu de alerta para famílias e profissionais de saúde.

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