Governo descarta retomar subsídio extra ao diesel, apesar da alta do petróleo


Redação 25/07/2026

Mesmo com a cotação internacional do petróleo voltando a se aproximar de US$ 100 por barril, o governo federal decidiu não restabelecer, neste momento, o subsídio adicional de R$ 0,35 por litro do diesel, suspenso no início de julho. A informação foi confirmada nesta sexta-feira (25) pelo ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, durante a apresentação do Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas.

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Segundo o ministro, a alta do petróleo ainda não provocou impacto suficiente nos preços dos combustíveis ao consumidor para justificar a retomada do benefício. A estratégia do governo, segundo ele, é manter uma retirada gradual dos subsídios, sem ampliar os gastos públicos neste momento.

Atualmente, seguem em vigor o subsídio de R$ 1,12 por litro do diesel e o auxílio de R$ 0,44 por litro da gasolina, prorrogado por mais um mês. De acordo com o Ministério do Planejamento, essas medidas representam um custo mensal de aproximadamente R$ 5,5 bilhões para o diesel e R$ 1,3 bilhão para a gasolina.

O governo havia iniciado a redução dos incentivos após a queda das cotações internacionais do petróleo, registrada durante o período de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã. Com a retomada das tensões no Oriente Médio e a valorização do barril, parte dos subsídios foi mantida para evitar um aumento imediato nos preços dos combustíveis.

Até junho, a União desembolsou R$ 14,55 bilhões para reduzir os impactos da alta internacional dos combustíveis sobre o mercado interno. Somente em junho foram gastos R$ 7 bilhões, e outros R$ 7 bilhões estão previstos para julho, além de recursos destinados à compensação da isenção do ICMS sobre o diesel importado.

Apesar do aumento das despesas, o governo avalia que ainda há espaço para cumprir a meta fiscal deste ano. Segundo Bruno Moretti, eventuais impactos adicionais serão considerados na próxima revisão das contas públicas e, se necessário, poderão resultar em bloqueios de despesas.

Parte desses gastos vem sendo compensada pela arrecadação com o imposto de exportação de 12% sobre o petróleo bruto. Como o Brasil é exportador líquido da commodity, a cobrança busca preservar o abastecimento interno e reforçar a arrecadação federal.

O Relatório Bimestral manteve a previsão de superávit primário de R$ 10,8 bilhões em 2026. Para cumprir as regras do arcabouço fiscal, o governo mantém bloqueados R$ 17,9 bilhões em despesas, sem necessidade, até o momento, de contingenciamento por queda de arrecadação.

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